O secretário-geral do PCP afirmou hoje que, a confirmar-se o envolvimento da ministra das Finanças no processo de decisão dos contratos swap para o setor público, Maria Luís Alburquerque fica sem «condições» éticas e políticas «para continuar».

«Com essa ressalva, a atual ministra das Finanças mentiu a uma comissão parlamentar que está a tentar apurar a verdade sobre os swap (contratos de gestão do risco). Caso se confirme, nós consideramos que não tem condições, no plano ético, político, para continuar como ministra», disse Jerónimo de Sousa, à margem de uma ação de campanha autárquica, na Chamusca.

Para o líder comunista, «a questão está em saber se validou, se se pronunciou, como técnica superior, a favor de um negócio que foi desastroso para o país».

«O problema de fundo está em saber como foi possível, com esses negócios ruinosos, que hoje o erário público, o Estado, ou seja, os cidadãos vão ter de pagar mais de 3.000 milhões de euros, ou seja, cinco vezes mais do que o corte que eles prevêem para as pensões», reforçou.

Também o PS reforçou hoje o pedido de demissão da ministra das Finanças, considerando que o comunicado do ministério desta tarde já «esclareceu em absoluto» que Maria Luís Albuquerque «mentiu à comissão parlamentar».

«Maria Luís Albuquerque mentiu à comissão de inquérito, se alguma dúvida ainda ainda existisse, o esclarecimento hoje enviado pelo ministério das Finanças e o seu anexo esclarece em absoluto essa dúvida», afirmou o líder parlamentar socialista, Carlos Zorrinho, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

Por sua vez, o PCP insistiu hoje que a ministra das Finanças enquanto funcionária do ICGP deu um parecer favorável à contratação de um swap pelas Estradas de Portugal, mesmo sem ter detalhes da sua natureza e caráter.

«Sabia que este financiamento exigia obrigatoriamente a contratação de um swap, era a condição do banco, o banco impunha que para fazer o empréstimo - creio de 150 milhões de euros - deveria ser contratado um swap, um swap obrigatório, o pedido de parecer ao ICGP referia o ¿swap', no seu parecer Maria Luís Albuquerque mostrava conhecer a existência desse SWAP, aliás frisa isso que ele existia, no entanto, não tinha detalhe da natureza e do caráter desse SWAP, mas mesmo assim autorizou», afirmou o deputado do PCP Paulo Sá.

Paulo Sá falava depois de ter tido acesso ao perecer assinado por Maria Luís Albuquerque enquanto funcionária do ICGP, «um parecer favorável à contratação de um SWAP e de um financiamento juntos da Estradas de Portugal».

Já o líder parlamentar do BE defendeu hoje que a documentação tornada pública pelo Ministério das Finanças demonstra que Maria Luís Albuquerque deu «um parecer favorável à contratação de um swap que era altamente especulativo».

«O parecer indica que Maria Luís Albuquerque deu parecer positivo à contratação de um swap no âmbito de um processo de financiamento. Mais do que isso, fê-lo sob condições que dão conta de um parecer favorável à contratação de um swap em branco e que depois veio a perceber-se que era um ¿swap' altamente especulativo, de nível quatro», acusou Pedro Filipe Soares.

Segundo o BE, na audição de segunda-feira, na comissão parlamentar de inquérito aos swap, «ficou demonstrado que a palavra que a ministra tinha dado em sede de inquérito parlamentar não é consentânea com aquela que existe em documentos agora conhecidos», divulgados pelo Ministério das Finanças.

«Esta evidência, estes factos, demonstram que a ministra tem agido com jogos de palavras e omissões para com esta comissão de inquérito», disse.

«O que nós exigimos é que o Governo tenha um pingo de ética e, já que a própria ministra não conhece o significado desta palavra, deve ser o próprio primeiro-ministro a perceber que é inevitável a demissão da ministra», afirmou.