O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse este domingo a propósito da investigação Papéis do Panamá que os milhões colocados em offshores visam “roubar os Estados e os povos”.

“Independentemente da origem e da forma como foram selecionadas as informações dos ditos Papéis do Panamá, a deixar muitas interrogações, o que estes inequivocamente confirmam é que, de forma legal ou ilegal, os milhões de origem criminosa ou não, colocados nos offshores e nos paraísos fiscais, visam não pagar impostos, ficar longe dos olhares do fisco, da opinião pública e dos tribunais”, afirmou Jerónimo de Sousa, em Ponta Delgada, Açores, acrescentando que “visam, no, fundo roubar os estados e os povos”.

O líder do PCP discursava no encerramento do X Congresso da Organização da Região Autónoma dos Açores do PCP.

“Vejam se esses grandes patriotas das empresas que fazem parte do PSI 20 - as grandes empresas dos grupos económicos cotadas - têm alguma ponta de vergonha quando se sabe que, à exceção de uma, têm as sedes fiscais e as suas holdings fora do nosso país”, referiu.

Para Jerónimo de Sousa, esta investigação deveria dar mais força à proposta comunista de que “os lucros ganhos cá deviam pagar impostos cá”.

“Vamos a ver se depois de tanta celeuma não fica tudo em águas de bacalhau ou de Caimão”, concluiu.

Segundo o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington, que reuniu para este trabalho 370 jornalistas de mais de 70 países, mais de 214.000 entidades offshore estão envolvidas em operações financeiras em mais de 200 países e territórios em todo o mundo.

O semanário Expresso e a TVI, que integram em Portugal este consórcio, noticiaram que há mais de 240 portugueses nas offshores do Panamá, entre os quais os nomes mais conhecidos são Luís Portela, Manuel Vilarinho e Ilídio Pinho.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas "offshore" em mais de 200 países e territórios.

A partir dos Papéis do Panamá (Panama Papers, em inglês) como já são conhecidos, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em "offshores" e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.