O secretário-geral do PCP afirmou hoje que o partido "não apoia" o Programa de Estabilidade por considerar que o documento contém constrangimentos europeus que impedem o crescimento, e disse que "infelizmente a vida dará razão ao PCP".

No final da primeira audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa, Jerónimo de Sousa disse aos jornalistas que nos programas Nacional de Reformas e de Estabilidade, "filhos" do semestre europeu, "há uma contradição" entre aquilo que é necessário realizar numa perspetiva de crescimento e desenvolvimento económico e "constrangimentos que amarram de pés e mãos" o país.

"O PCP não apoia esse Programa de Estabilidade", respondeu aos jornalistas, avisando que "esses constrangimentos têm que ser resolvidos" porque se sabe qual vai ser o resultado se isso não acontecer e acrescentando que "infelizmente a vida dará razão ao PCP".

Voltando a criticar o projeto de resolução apresentado pelo CDS-PP que recomenda ao Governo que submeta a votação os Programas de Estabilidade e Nacional de Reformas e que proceda à revisão dos dois documentos, o secretário-geral comunista condenou "uma visão instrumental, a roçar a chicana política que não tem do PCP qualquer apoio".

Sobre esta proposta dos centristas, Jerónimo de Sousa chama a atenção que o documento tem duas recomendações, sendo a primeira "voltar para atrás e encetar o caminho que foi realizado durante os quatro anos que tantos sacrifícios impôs ao povo português", o que constitui um "retrocesso".

"Mesmo em relação à matéria de facto propõe uma votação sem afirmar de apoio ou de rejeição em relação a esse mesmo documento", condena ainda.

Sobre o sentido de voto que o PCP teria se estes documentos fossem a votos, o secretário-geral comunista foi perentório: "a questão não está posta porque não vai haver votação, creio eu".

"Temos uma proposta alternativa porque olhando para os constrangimentos que são impostos pelo semestre europeu, pelo tratado orçamental por outras regras e mecanismos, o que o PCP refere é a contradição, a crescente contradição que vai ter que ser resolvida entre o direito e as possibilidades que temos de desenvolvimento económico, mesmo do ponto de vista soberano, ou aceitarmos esses ditames, esses constrangimentos", disse ainda.