O secretário-geral do PCP defendeu este sábado em Ovar que a moção de censura ao Governo proposta pelo Partido Ecológico «Os Verdes» que será votada na próxima quinta-feira irá «clarificar posições» e acabar com o «troca-tintismo» do PS.

Num comício no Parque do Buçaquinho, Jerónimo de Sousa começou por fazer referência às «várias vozes» que, depois de anunciada a moção, defenderam que essa «era para entalar o PS» - que, por também ter assinado o memorando de entendimento com a troika, foi agora chamado pelo Presidente da República, juntamente com PSD e CDS-PP, a participar do «compromisso de salvação nacional» que evitará eleições antecipadas antes de 2014.

«Mas afinal o secretário-geral do PS não dizia que o Governo estava derrotado?», questiona o líder dos comunistas. «Então qual é o problema desta moção de censura?», pergunta.

Garantindo que «esta moção não é para entalar ninguém», Jerónimo de Sousa afirma que a proposta de «Os Verdes» irá, isso sim, «clarificar as posições de cada um, para o povo não ser enganado por esta política de troca-tintismo, em que uns dizem uma coisa e fazem outra».

O líder dos comunistas admite que, em termos formais, a moção está derrotada à partida porque PSD e CDS «continuam com a maioria de deputados», mas considera válido, ainda assim, o «resultado político» da votação, enquanto manifestação de repúdio para com um «Governo [que] hoje está morto».

Ainda sobre a maioria PSD/CDS-PP, Jerónimo de Sousa realçou que «o próprio Presidente da República os pôs a prazo, embora precise que eles continuem a aguentar estes meses».

Para o líder comunista, «Cavaco Silva não quer nenhuma salvação nacional, quer é salvar a política de direita que está derrotada perante o povo português». É assim que justifica que, quando o Presidente da República «tirou da cartola este coelho da salvação nacional», o tenha feito «arrastando o PS para a concretização dessa base de direita».

Também será essa estratégia, segundo Jerónimo de Sousa, a explicar que o PCP tenha ficado de fora das reuniões com os partidos propostas por Cavaco Silva perante a crise gerada pela saída de Paulo Portas.

«Não nos sentimos ofendidos por esta exclusão do Presidente da República», assegura Jerónimo de Sousa.

«Ele escolheu os amigos que acha que podem concretizar essa visão de direita, mas, mesmo que o PS aceda, e como o país vai continuar a não andar para a frente, podem ter a certeza de que o povo vai lutar contra essa política», disse.