O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou esta sexta-feira que as polémicas recentes com a ex-ministra das Finanças do Governo PSD/CDS-PP são "evidências do lodaçal" deixado pelo executivo de Passos Coelho e Paulo Portas.

O secretário-geral do PCP, após reunião do Comité Central, em Lisboa, frisou que "não pode a culpa morrer solteira" e serem "os contribuintes a pagar mais uma vez os erros cometidos", embora salvaguardando que "nunca" condena alguém "antes de qualquer julgamento e apreciação, designadamente no plano da Assembleia da República", referindo-se à futura análise do caso pela subcomissão parlamentar de ética.

Sobre os casos que vieram a público nos últimos dias de escandalosa promiscuidade entre poder político e grupos económicos, particularmente a banca privada, em que membros do Governo PSD/CDS - com destaque para a ministra das Finanças -, ou empresas públicas diretamente interessadas, se revezam entre interesses privados e a sua negociação a partir do Estado, trata-se de uma evidente colisão com o interesse nacional", afirmou.

Segundo o líder comunista, "são evidências do lodaçal que o anterior Governo deixou no país, com tendências verdadeiramente preocupantes de perversão democrática e constitucional".

A anterior titular da pasta das Finanças, Maria Luís Albuquerque, foi contratada pelo grupo britânico de gestão de crédito Arrow Global, que tem ligações a diversas entidades bancárias portuguesas, nomeadamente o Banif, recentemente vendido ao Santander Totta.

Este último banco, por seu turno, anunciou esta sexta-feira que o tribunal de comércio de Londres lhe deu razão num conflito com o Estado português sobre contratos de cobertura de risco ("swaps") relativos a empresas públicas de transportes Metropolitano de Lisboa, Carris, Metro do Porto e STCP.

Independentemente dessa decisão judicial, continuamos a considerar que não podem ser os portugueses, os contribuintes, a pagar mais uma vez os erros cometidos nesse processo de endividamento de algumas empresas/'swaps'", disse Jerónimo de Sousa, classificando-os como "mais uns desmandos das gestões de algumas empresas".

Para o líder do PCP, esta "é uma questão que tem de ser resolvida por quem cometeu essa medida, esse processo nebuloso e não pode a culpa morrer solteira".

Em primeiro lugar, tratou-se de uma decisão de um Governo PS (entre 2005 e 2007), e em 2013 há uma decisão do Governo do PSD, mas, de qualquer forma, há uma gestão que está comprometida", concluiu.