O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que “uns e outros” pedem uma maioria absoluta, resultado esse que significaria um “cheque em branco” para aqueles que nunca cumpriram.
 

“Uma maioria absoluta que significaria um cheque em branco para aqueles que nunca cumpriram, quando no Governo, o que prometeram, antes executaram a política que serve os grandes interesses e contra os trabalhadores e contra o povo”, declarou Jerónimo de Sousa, durante um comício em Guimarães.


Segundo o líder comunista, uma maioria absoluta serviria para “continuar” a política que empobreceu o país, o conduziu ao declínio e à dependência e tanto “infernizou a vida" dos portugueses.
 

“Mais do que nunca, impõe-se denunciar os que, com base na chantagem da governabilidade e estabilidade, invocam a necessidade de uma maioria absoluta, como faz Passos e como faz Costa, iludindo que é a estabilidade da política de direita que os move, mesmo que isso signifique, como tem significado ao longo dos anos, a instabilidade da vida dos portugueses, dos seus rendimentos e direitos”, referiu.

 
Na opinião de Jerónimo de Sousa, para o atual Governo PSD/CDS-PP “tanto faz” que a maioria absoluta seja deles ou do PS, dado que o importante é que a política de direita prossiga.
 
O PS escolheu sempre para aliados o PSD ou o CDS-PP, mesmo tendo maioria absoluta, considerou.
 
No comício, que serviu para a apresentação dos candidatos pelo círculo eleitoral de Braga, o líder comunista lembrou que o PS teve maioria absoluta entre 2005 e 2009, tendo isso significado ataque aos rendimentos e direitos dos trabalhadores e do povo.
 

“Eles andam há 39 anos no agora mando eu, no agora mandas tu, no agora mando eu mais tu e com os resultados que se conhecem e que afundaram o país”, frisou.

 
Jerónimo de Sousa disse não não ter dúvidas de que a direita será derrotada nas próximas eleições legislativas, a 04 de outubro.
 

“Está lançada outra manobra mistificadora assente na fantasiosa ideia da necessidade de uma maioria absoluta ou dos partidos do governo ou do PS, que, nestas últimas duas semanas, assumiu contornos de inadmissível chantagem sobre o eleitorado e que tem a abusiva cobertura e promoção do Presidente da República”.

 
Para Jerónimo de Sousa, estas “operações de propaganda fraudulenta” servem para enfatizar a “perigosa ideia" da ingovernabilidade do país sem uma maioria absoluta e condicionar a opção de voto dos portugueses.
 
“Tudo construído com recurso a leituras fantasiosas de indicadores económicos, à profusão de anúncios de novas promessas, à instrumentalização intensiva do poder e dinheiros públicos para condicionar e adquirir apoios eleitorais que lhes permitam escapar a uma derrota, que sabem por certa, em outubro próximo”, ressalvou.