O secretário-geral do PCP defendeu sábado à noite, no concelho de Coimbra, mais direitos laborais e a valorização do trabalho e dos trabalhadores, salientando que, apesar da retoma económica, existe uma estagnação dos salários e mais precariedade.

Segundo Jerónimo de Sousa, que discursava num jantar comício em Arzila, os estudos realizados em Portugal mostram que os "salários reais estão quase estagnados, em 2015 (0,3%), 2016 (0,4%)e até setembro de 2017 (0,6%)".

E não fosse o efeito do crescimento do Salário Mínimo Nacional, também ele valorizado aquém do que se impunha e defendíamos e a média dos salários teria caído abaixo do valor real", disse o líder comunista perante várias dezenas de pessoas.

Quanto à precariedade laboral, o líder do PCP revelou que que tem aumentado ao longo das duas últimas décadas, "bem acima da média europeia", e que passou no limiar do século de "10% para 22,6% no terceiro trimestre de 2017, acabando por continuar a crescer também nestes últimos dois anos".

Para o secretário-geral dos comunistas, "não basta fazer crescer a economia é preciso que ela seja colocada ao serviço de todos e da elevação da qualidade de vida de quem trabalha".

Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa avisou que o PCP não vai desistir do combate pela melhoria da legislação laboral e dos direitos dos trabalhadores e deixou alguns recados ao Governo liderado pelo socialista António Costa.

Todos nós sabemos que o caminho que estamos a percorrer não está isento de dificuldades e de crescentes resistências, como se percebe pelas opções políticas do Governo do PS limitadoras das soluções necessárias de resposta à superação dos problemas de fundo do país", afirmou.

O líder comunista sublinhou que a valorização do trabalho e dos trabalhadores assume uma "importante prioridade" como objeto e condição do "desenvolvimento e do progresso social" e acusou o PS, PSD e CDS de "darem as mãos" para chumbarem o projeto de lei do PCP que visava a reposição do pagamento do trabalho extraordinário e em dia de feriado.

A iniciativa legislativa chumbada na sexta-feira "faz parte de um conjunto de propostas que o PCP apresentou na Assembleia da República, visando garantir uma legislação de trabalho que retome a sua natureza de proteção da parte mais débil - a única que é compatível com uma perspetiva progressista e com o desenvolvimento económico e social".

"Portugal precisa de concretizar uma política de esquerda que valoriza o trabalho e os trabalhadores, assegure o controlo público dos setores estratégicos da economia, que promova uma justa distribuição da riqueza, mais justiça fiscal, que combata as desigualdades na sociedade e no território, que assegure serviços públicos de qualidade e para todos, que reforce as prestações e direitos sociais, que apoie as micro, pequenas e médias empresas e estimule um desenvolvimento económico não dominado pelos monopólios", elencou.

Jerónimo de Sousa queixou-se ainda de "uma campanha e de ataque concentrado e coordenado das forças do grande capital e dos setores políticos mais conservadores e reacionários, que sabem da importância e do papel do PCP na recuperação de direitos, rendimentos e condições de vida do povo".