O secretário-geral do PCP afirmou esta terça-feira estar "mais claro" a "leitura inteligente" do Tratado Orçamental dos socialistas, mantendo-se os "roubos" até 2017, e convocou "todos ao 1.º de Maio", numa audição pública, em Lisboa.

"Agora fica mais claro o que é a ‘leitura inteligente' que António Costa (secretário-geral do PS) tem afirmado ser necessário fazer ao Tratado Orçamental", ironizou Jerónimo de Sousa, referindo-se aos estudos apresentados recentemente pelos responsáveis do largo do Rato.


O líder comunista disse que "o PS, no seu documento ‘Uma década para Portugal', vem confirmar que "os roubos que PSD e CDS-PP pretendem manter até 2019 são para manter até 2017, quer na sobretaxa de IRS, quer nos cortes salariais da administração pública", numa sessão intitulada "Valorizar o Trabalho e os Trabalhadores", uma das diversas recolhas de contributos para o programa eleitoral da Coligação Democrática Unitária (PCP, "Os Verdes", Associação Intervenção Democrática), na Casa do Alentejo.

"Mantém as medidas mais gravosas do Código do Trabalho, bem como os benefícios fiscais aos grandes grupos económicos e financeiros em sede de IRC. Compromete a sustentabilidade da Segurança Social, admitindo o aumento da idade da reforma e o estímulo ao plafonamento. Não diz uma palavra sobre o fim dos despedimentos encapotados na função pública, por via da requalificação", criticou.

Segundo Jerónimo de Sousa, "do lado do Governo PSD/CDS-PP, que apregoou a todos os ventos que as medidas que apelidam de austeridade durariam apenas enquanto durasse o ‘pacto de agressão', o Programa de Estabilidade e o Programa Nacional de Reformas vem agora afirmar que os roubos são para manter, pelo menos, até 2019".

"Afirma que não tem folga orçamental - embora também digam que tem os cofres cheios - para devolver aos trabalhadores e ao povo aquilo que lhes roubou nos últimos anos, mas tem folga orçamental para reduzir, durante seis anos consecutivos, a taxa do imposto sobre as empresas e eliminar a contribuição do setor energético", comparou.

O secretário-geral comunista apontou diversas propostas concretas do PCP como alternativa, nomeadamente o aumento do salário mínimo para 600 euros em 2016, a reposição integral dos cortes salariais, subsídios e pensões ou a recuperação das 35 horas de trabalho semanal e sua generalização.

Em jeito de preparação da celebração do Dia Internacional do Trabalhador, na sexta-feira, Jerónimo de Sousa lembrou que, "há 125 anos, com a jornada do 1.º de Maio pela consagração das oito horas como horário diário, tinha lugar a primeira grande ação internacionalista da classe operária, contra a opressão e a exploração".

"A palavra de ordem do Manifesto Comunista – ‘Proletários de todos os países, uni-vos!' - passava do campo dos apelos ao campo das ações práticas. Como há 125 anos, em Portugal e no Mundo, projeta-se o apelo: basta de injustiças, basta de exploração, todos ao 1.º de Maio!", incitou.

Para o líder do PCP, "também há 41 anos muitos diziam que o fascismo era inevitável porque era impossível de vencer".

"Hoje, também dizem que a política de direita é inevitável, mas, tal como há 41 anos, também se enganarão, pela força da luta dos trabalhadores e do povo portugueses", desejou.