O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, valorizou sexta-feira à noite, no concelho de Coimbra, o trabalho do Governo socialista de António Costa, mas disse que há grandes problemas estruturais por resolver em Portugal.

O dirigente comunista, que discursava num jantar debate em Vila Nova, na freguesia de Cernache, Coimbra, elencou "o nível do desemprego, da precariedade, os baixos salários e as baixas reformas, os problemas do aparelho produtivo, os constrangimentos que hoje se colocam, designadamente a questão da política do euro, a dívida pública e o serviço da dívida".

Só para pagar o serviço da dívida vamos ter de arranjar por ano oito mil milhões de euros. Não precisamos de ser grandes economistas para perceber que um país que tem de pagar este valor só para o serviço da dívida, não pode ter esse dinheiro depois para o investimento e aumento do aparelho produtivo, para o Serviço Nacional de Saúde, escola pública e Segurança Social", sublinhou.

Perante cerca de três centenas de pessoas, Jerónimo de Sousa salientou que "esta contradição vai aumentar, porque a dívida não baixa, o serviço da dívida leva 'coiro e cabelo' e porque com a política do euro" Portugal não vai "a lado nenhum".

Para o líder do PCP, que discursou de improviso durante 40 minutos, basta observar a trajetória de economia portuguesa desde a adesão ao euro para verificar que "tivemos sempre um crescimento rastejante".

O dirigente comunista voltou a defender a atual solução política que permite ao socialista António Costa governar o país, mas deixou a garantia que o seu compromisso "é com os trabalhadores e com o povo e não com qualquer governo, designadamente o atual Governo" do PS.

Jerónimo Sousa valorizou o conjunto de medidas tomadas até agora para devolver direitos e rendimentos aos trabalhadores, mas avisou que a luta "não foi dispensada".

Criou-se a ideia de que, com esta nova solução política e nesta nova fase, o melhor era estarmos quietinhos, mas este ano temos de dar força ao desenvolvimento da luta", salientou o secretário-geral do PCP, prometendo uma campanha contra a precariedade laboral, que atinge, sobretudo, os mais jovens.

Os problemas da banca, sobretudo a situação do Novo Banco, não passaram ao lado do discurso do líder comunista, que antecipou uma solução para o antigo Banco Espírito Santo (BES) que "não vai ser boa" para o interesse nacional do Estado, que investiu na instituição mais de três mil milhões de euros.

O dirigente voltou a defender a nacionalização do banco, mas disse temer que depois de recuperado seja "entregue limpo ao capital privado".