O secretário-geral do PCP analisou, esta quarta-feira, as movimentações do Governo da maioria PSD/CDS-PP e do PS junto da troika e concluiu que Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional mandaram os três partidos «dar uma volta».

«Porque estamos em campanha eleitoral, fica bem dizer 'tu ofereces 4,5 por cento, eu ofereço cinco por cento'. Só que existe um problema, a troika não vai em conversas. Tem lá a assinatura deles, o voto a favor e disse-lhes 'vão dar uma volta, vocês têm de cumprir até ao fim, pagar com língua de palmo', estas medidas, contidas no pacto de agressão», interpretou o líder comunista, referindo-se às tentativas de flexibilizar as metas orçamentais.

Criticando o facto de sociais-democratas, democratas-cristãos e socialistas terem aprovado no Parlamento o tratado orçamental, «que tem lá escrito que Portugal tem de baixar o défice até 0,5» por cento do Produto Interno Bruto, o também deputado do PCP brincou com as posturas assumidas pelo vice-primeiro ministro e pelo líder da oposição, António José Seguro.

«Até aconteceu uma cena caricata, hoje e ontem [terça-feira], tendo em conta a presença da troika. De repente, vem Paulo Portas dizer que era preciso flexibilizar o défice - em vez de quatro, 4,5 por cento - e o PS não quis ficar atrás - 'qual 4,5, cinco por cento de flexibilização do défice!», disse Jerónimo de Sousa.