O secretário-geral do PCP insistiu este sábado que existe no país uma crise com «uma dimensão sem precedentes», reiterando que o partido irá pedir uma audiência ao Presidente da República.

«Independentemente das palavras e dos juízos de valor do senhor Presidente da República, nós mantemos o objetivo de solicitar uma audiência em data a acertar para que possamos com grande franqueza colocar os fundamentos que nos levaram a avançar com esse pedido de audiência», afirmou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, em declarações aos jornalistas no final de uma reunião nacional de quadros do partido sobre as comissões de trabalhadores, que decorreu na Quinta da Atalaia, no Seixal.

Na sexta-feira, o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, fez um apelo à serenidade e bom senso dos agentes políticos, sublinhando que uma crise política teria um custo muito elevado.

Confrontado com estas declarações, Jerónimo de Sousa insistiu que que existe em Portugal uma «crise com uma dimensão sem precedentes» nos planos político, económico, social e institucional.

A este propósito, o secretário-geral comunista voltou a condenar o «confronto entre o Governo e o Tribunal Constitucional».

«O rancor de Passos Coelho não vai tanto em relação aos juízes, vai em relação à Constituição da República e ao projeto que ela consagra que colide claramente com esta política», disse, sublinhando que o «problema de fundo» é que «um Governo que não cumpre, não quer cumprir e quer forçar a Constituição da República abre uma crise institucional».