À terceira não será de vez para o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, que se autoexclui de uma candidatura presidencial em 2016 em favor de "um outro camarada", embora a decisão caiba ao Comité Central do PCP.

Em entrevista à Lusa, o líder comunista defende alguém no Palácio de Belém que "cumpra e faça cumprir a Constituição", volta a admitir uma desistência posterior do candidato comunista a favor de um concorrente melhor colocado e afirma que a recente e mediática visita do comentador e presidenciável Marcelo Rebelo de Sousa à 39.ª Festa do ‘Avante!' foi tudo menos "inocente", por parte do ex-presidente do PSD.

"Já seria a terceira vez [que concorreria a Belém]. Eu acho que, felizmente, no partido existem muitos camaradas que têm condições plenas para travar essa batalha. Estou profundamente confiante de que a decisão será encontrar o candidato melhor para levar por diante essa exigente tarefa. É evidente que o Comité Central poderá decidir não apresentar candidatura alguma", disse o candidato presidencial do PCP em 1996 e em 2006.

Em 1996, quando foi eleito o socialista Jorge Sampaio, Jerónimo de Sousa desistiu, mas dez anos depois manteve-se até final contra a chegada do atual Presidente da República, Cavaco Silva, ao Palácio de Belém, ficando atrás de Manuel Alegre e de Mário Soares e à frente de Francisco Louçã e Garcia Pereira.

"Como compreenderá, o secretário-geral vai participar ativamente nessa batalha, mas, se houver uma intervenção própria, não estamos muito direcionados para aí, com esta ideia: um outro camarada a participar demonstra que o PCP, também aqui, não se vira para dentro, não se fecha, pensando apenas no resultado", afirmou, questionado sobre os benefícios do seu capital de popularidade e o facto de ter sido deputado à Constituinte.

Outro tribuno de há 40 anos foi Marcelo Rebelo de Sousa, que também aprovou o Texto Fundamental, mas o líder comunista considera que o jurista social-democrata foge ao perfil indicado para as funções.

"Aprovou-a (Constituição), mas tenho a certeza de que não seria capaz de afirmar, com profunda convicção e certeza certa, cumprir e fazer cumprir a Constituição até pelo seu posicionamento político. Será daqueles que, no PSD, estão muito virados para um processo de revisão negativo da Constituição", analisou.

Segundo Jerónimo de Sousa, na ‘Festa do Avante!', cuja 39.ª edição se realizou no passado fim de semana, participam muitas pessoas de outros partidos e há um princípio para os membros do PCP: "Quem vier por bem que venha e desfrute".

"É mais um (Marcelo Rebelo de Sousa), a par de outras personalidades. Quanto ao objetivo, tem de se perguntar a Marcelo Rebelo de Sousa. Usou o argumento de que é preciso ver para comentar, embora, neste contexto, acho que não foi inocente, a sua ida à ‘Festa do Avante!'", intuiu, comentando algum aproveitamento político por parte do professor universitário.