O líder do PCP atribuiu, nesta terça-feira, o recuo eleitoral autárquico da CDU "ao anticomunismo" e à desvalorização da ação do partido no parlamento, nomeadamente por parte do Governo PS e do bom ambiente económico, entre outros fatores.

Em conferência de imprensa de mais de meia-hora na sede nacional, Jerónimo de Sousa reiterou, contudo, que, apesar das "perdas", a coligação que junta comunistas, ecologistas e independentes confirmou-se como a "grande força de esquerda no poder local" e terceira força política autárquica.

Naturalmente, o PS, e o seu Governo minoritário, procura contabilizar também e chamar a si alguns avanços porque é Governo e tem essa capacidade de decisão (...), embora, neste período, de dois anos, é conhecida a nossa persistência para levar até à alteração de posições do governo PS."

Segundo o líder comunista, a simpatia sentida nos contactos com as populações não se traduziu em votos, lamentando que as pessoas não tenham "reconhecido o papel do PCP na derrota do Governo PSD/CDS" ou tivessem ganhado "a consciência de que as possibilidades de ir mais longe e seguir em frente seriam sobretudo asseguradas com o reforço da CDU e não do PS".

Regista-se, ainda no quadro de hostilização que acompanhou a intervenção do PCP e da CDU ao longo dos últimos meses, a promoção do anticomunismo e de persistente e continuada desvalorização do papel do PCP na vida política nacional."

A CDU teve um dos piores resultados de sempre em eleições autárquicas baixando de 34 para 24 presidências de municípios. Já o PS garantiu o melhor resultado desde 1976, conquistando sozinhos 159 das 308 câmaras.

Porém, Jerónimo de Sousa alertou: "que ninguém se iluda" até porque o PCP "nunca teve jeito para ser peninha no chapéu" de outro partido político.

Não nos deixaremos condicionar por pressões, conselhos envenenados, venham de onde vierem ou por resultados eleitorais, sejam eles quais forem. Não nos desviaremos do nosso compromisso com os trabalhadores e o povo. Só quem não conhece este partido, a sua história e coerência, pode alimentar essa ilusão."

Comunistas e seus aliados perderam Almada (Setúbal) e Castro Verde (Beja), dois municípios que estavam sob a sua liderança desde que se realizaram as primeiras eleições autárquicas em democracia. Alandroal (Évora), Alcochete e Barreiro (Setúbal), Barrancos e Moura (Beja), Beja, Constância (Santarém) foram outros dos municípios conquistados pelos socialistas à CDU, enquanto Peniche (Leiria) "caiu" para um independente ex-CDU.

O secretário-geral voltou a defender o aumento do salário mínimo nacional para 600 euros em janeiro e novo aumento das pensões de reforma, condenando as posições do PS face à legislação laboral e às imposições da União Europeia e da zona euro.

Jerónimo de Sousa aludiu ainda à "obtenção de 171 mandatos nas câmaras municipais, 618 em assembleias municipais e 1.664 em assembleias de freguesia", bem como 518.219 votos e 10,1% da votação para as assembleias municipais.