O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou que foram "apressados" em considerarem uma vitória a não ter aplicado sanções pela União Europeia, tendo em conta que continua a existir "ameaça e chantagem".

Foram apressados os que consideraram uma vitória a decisão da União Europeia de não aplicar materialmente essas sanções, mas ficando um pouco na pena suspensa. A ameaça, a pressão e a chantagem continuam e nós consideramos que é de rechaçar", disse, durante uma visita às Festas da Moita.

O vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo Investimento, Jyrki Katainen, mostrou-se hoje convicto de que Portugal e Espanha evitarão a suspensão de fundos, bastando para tal cumprirem as promessas de consolidação orçamental.

Nós precisamos de desenvolvimento económico, de crescer, de investimento público para resolver problemas estruturais como o desemprego. Não é cedendo aos chantagistas que se acaba com a chantagem", defendeu o líder do PCP.

Jerónimo de Sousa disse ainda que o PS vive "numa contradição", pois acredita que pode ultrapassar os "constrangimentos existentes".

O PS tem de resolver esta contradição e esperamos que exista uma rotura, pois andamos sempre com um crescimento anémico, não podemos estar sempre sujeitos à chantagem. Estamos convictos que o PS vai perceber que é preciso afastar este bloqueio", defendeu.

Em relação ao Orçamento do Estado para 2017, Jerónimo de Sousa reafirmou que o PCP vai ter uma posição construtiva.

Vamos examinar o orçamento para 2017 e daremos a nossa contribuição. É fundamental continuar o rumo de reposição de salários e direitos e, por isso, estamos numa posição construtiva, mas é perante a proposta concreta que decidiremos", concluiu.

Jerónimo defende reavaliação da forma como decorre o treino militar

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou que é necessária uma reavaliação da forma como é efetuado o treino militar, depois da morte de dois militares dos comandos.

Perante o triste acontecimento, nós consideramos que é necessária uma reavaliação da forma como é feito o treino militar nesse setor dos comandos, como em outros setores. A missão constitucional das forças armadas prevê e garante valências diversas, incluindo o setor dos comandos", disse, durante uma visita às Festas da Moita, no distrito de Setúbal.

Jerónimo de Sousa defendeu que, embora as situações tenham sido "dramáticas", as Forças Armadas têm a missão de defesa nacional.

Essa responsabilização constitucional das Forças Armadas não pode viver de conjunturas, mesmo dramáticas que sejam. Existe uma missão das Forças Armadas de defesa nacional e tem de se encontrar respostas", defendeu.