O secretário-geral comunista recusou esta terça-feira qualquer acordo pós-eleitoral na autarquia de Lisboa, embora mantendo uma postura construtiva.

Não vai haver repetição da solução política encontrada nesta fase da vida política nacional. A única garantia que daremos é a de que continuaremos a trabalhar em maioria ou minoria para resolver os problemas de cada terra, cada concelho. Por exemplo, em Lisboa, não existirá essa possibilidade de encontrar um modelo como foi encontrado ao nível nacional", afirmou Jerónimo de Sousa, após reunião do comité central do PCP, na sede nacional do partido.

O líder comunista ressalvou, contudo, que "nunca vão encontrar uma posição destrutiva da CDU", que juntou comunistas, ecologistas e independentes nas eleições autárquicas.A CDU obteve um dos piores resultados de sempre em eleições autárquicas baixando de 34 para 24 presidências de municípios. Já o PS garantiu o melhor resultado desde 1976, conquistando sozinho 159 das 308 câmaras, incluindo a da capital, mas sem maioria absoluta.

"Futuro nas mãos do PS"

Sobre o futuro do Governo minoritário do PS, que o PCP tem apoiado no Parlamento, Jerónimo de Sousa afirmou que segue nas mãos daquele partido, conforme continue a repor rendimentos, direitos e esperança aos trabalhadores e ao povo.

Nós, no quadro da posição conjunta, esse compromisso será assumido, mas o que determinará o futuro do Governo do PS está nas mãos do próprio PS. Se viesse a tese de que temos de parar ou de andar para trás, seria um retrocesso de grande gravidade, na medida em que quebraria as justas expectativas que o povo português tem", disse o secretário-geral, após a reunião do comité central.

Segundo Jerónimo de Sousa, "um dos elementos novos das eleições de há dois anos foi uma certa reposição da esperança do povo português em ter uma vida melhor e de acabar com aquele inferno de, semana sim, semana sim, ter mais um corte, uma restrição a um rendimento ou direito".

Esta solução será tanto mais duradoura conforme der resposta positiva a esses anseios e aspirações", continuou, questionado sobre a possibilidade de legislativas antecipadas, após os resultados negativos da CDU, que junta comunistas, ecologistas e independentes nas autárquicas de domingo.

"Tirar ou não o tapete" 

Questionado sobre a postura dos comunistas no apoio parlamentar, após terem perdido nove câmaras para o PS, o secretário-geral do PCP afirmou que ""primeiro e principal compromisso é com trabalhadores e povo portugueses e não com o Governo".

Em relação ao Governo, se tiramos ou não o tapete... Estamos perante um Governo minoritário, não existe nenhum acordo parlamentar ou com o Governo. Existe uma posição conjunta que define o grau de compromisso. Cada partido mantém a sua independência. Não estamos condicionados ou amarrados a um acordo", insistiu, citando o exemplo do voto contra no caso da resolução do Banif.

Não tenho, nem o comité central, um fixismo em relação à posição conjunta. Até admito que não haja uma posição conjunta e se alcance questões e matérias no plano da justiça social e do progresso do país", afirmou o líder comunista, apontando o aumento extraordinário de 10 euros nas pensões de reforma, que "não estava na posição conjunta", tal como "o fim do corte do subsídio de desemprego", sublinhou Jerónimo de Sousa.

Sem comentários

Quanto à decisão de Pedro Passos Coelho de não se recandidatar à liderança nas próximas eleições diretas do partido, Jerónimo de Sousa recusou-se a fazer considerações.

Na vida interna do PSD não me meto. Cabe ao PSD encontrar soluções para o seu partido", disse ainda o secretário-geral do PCP.