O líder comunista reclamou para o PCP o papel do partido que “faz acontecer” em Portugal para “derrotar e travar a brutal ofensiva” do PSD/CDS, “mantendo no horizonte sempre e sempre o objetivo do socialismo”

Num comício no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, para assinalar os 100 anos da revolução russa, um "combate que continua", Jerónimo de Sousa afirmou que, “apesar das contradições do PS”, o Governo, com o apoio parlamentar de comunistas, bloquistas e verdes, tem resultado em vantagens para os portugueses.

Estes “dois anos da nova fase da vida nacional”, como o PCP se refere a este período de governação do PS, desde 2015, “são uma vantagem para a vida dos trabalhadores, dos reformados, dos intelectuais e quadros técnicos” com a reposição de salários e reformas, disse Jerónimo de Sousa.

E aos que diziam que, “com o fim do socialismo na URSS” e decretaram “o fim do comunismo”, o secretário-geral comunista respondeu: “O PCP continua de pé, a viver e a lutar, não apenas resistindo, mas fazendo acontecer, mantendo no horizonte sempre e sempre o objetivo do socialismo.”

“Dois anos a lutar e a fazer acontecer”, afirmou, fazendo também dinamizar “a luta dos trabalhadores e do povo”, que “foi decisiva” para “travar a ofensiva das forças” de direita.

Perante as “contradições” da opção do executivo do PS de “não se libertar dos seus compromissos com os interesses do grande capital” e submissão às “imposições da União Europeia”, Jerónimo prometeu “continuar a lutar” para levar “o mais longe possível” a “reposição e conquista de direitos” dos trabalhadores.

A construção da “sociedade socialista”, que o PCP defende, não é contraditória com a “nova fase da vida nacional”, nem com a “democracia avançada” preconizada no programa do partido.

“É uma etapa que, sendo parte integrante da luta pelo socialismo, a sua realização é igualmente indissociável da luta que hoje travamos pela concretização da rutura com a política de direita e pela materialização de uma política patriótica e de esquerda que dá corpo a essa construção”, afirmou o líder comunista português.

Num discurso de quase quarenta minutos e nove páginas, Jerónimo fez a defesa da revolução russa, iniciada por Lenine, há 100 anos, da herança da ex-União Soviética, de que fez um longo elogio.

“Sim, a revolução de outubro está aí como experiência concreta, como fonte de inspiração”, disse, terminando o discurso a afirmar a “profunda convicção de que o socialismo e o comunismo são o futuro da humanidade”.

“Fomos, somos e seremos comunistas”, prometeu, aplaudido de pé por militantes e apoiantes dos comunistas que encheram o Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Antes, tinha havido um momento musical, com canções revolucionárias francesas, italianas, chilenas, cubanas, a exibição de um filme sobre a revolução de Outubro, e que teve o seu ponto mais animado quando os presentes acompanharam com palmas “Katyucha”, canção épica russa, do tempo da II Guerra Mundial.