O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou este domingo o Governo por pretender “novos e mais cortes na Segurança Social”, questionando o porquê de querer fazer “um arranjinho com o PS”.

Ao intervir ao final da tarde de hoje, em Viseu, no encerramento da 10.ª Assembleia da Organização Regional do PCP, Jerónimo de Sousa disse que “o que está aí pelas mãos do Governo são novos e mais cortes na Segurança Social”, no valor de 600 milhões de euros.

“Porque é que será que a ministra das Finanças avançou com a possibilidade de um arranjinho com o PS para cortar nas reformas durante os próximos anos? Lá saberá porquê”, afirmou.


O líder comunista avisou que, se com o PSD e o CDS a perspetiva é “de continuação do rumo da exploração, empobrecimento e declínio”, o PS, com o seu relatório “Uma década para Portugal” completado com o programa eleitoral, mostrou “os seus propósitos de prosseguir, no essencial, a mesma política”.

Na sua opinião, trata-se “um projeto de programa eleitoral com umas propostas de adorno, numa espécie de operação de douramento da pílula, na tentativa de tornar doce a amarga realidade da inexistência de uma verdadeira política alternativa”.

“Na verdade, tal como o Governo PSD, o PS quer manter o confisco dos salários dos trabalhadores da administração pública no próximo ano, quer manter no essencial a brutal carga fiscal que incide sobre os rendimentos dos trabalhadores”, lamentou.


Por outro lado, “quer manter em sede de IRC [Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas] os instrumentos para facilitar a fuga aos impostos ao grande capital, continuar a política de privatizações” e “lançar uma nova contrarreforma da Segurança Social, comprometendo a sua sustentabilidade e admitindo o aumento da idade da reforma e o estímulo ao plafonamento”, acrescentou.

Segundo Jerónimo de Sousa, fica também clara “a sua intenção de facilitar ainda mais os despedimentos em geral” e a “admissão do congelamento dos salários na administração pública e das pensões de reforma até 2019”.

“Convém registar a diferença, assente no grau e no ritmo: a direita quer cortes e austeridade de forma bruta e crua, o PS quer cortes de austeridade com inteligência”, considerou.


No entanto, para o secretário-geral do PCP trata-se de “um programa de propostas que, nalguns casos, não passam de palavras vazias, de efeito demagógico”, como a frase “o interior como centralidade do mercado ibérico’.

“Inteligente pode ser, ninguém percebe é o que isto é”, frisou, acrescentando que “não é mudando o centro da península no papel, mantendo as políticas de sempre, que as populações do interior verão os seus problemas resolvidos”.


Jerónimo de Sousa aludiu também à proposta de criação de círculos eleitorais uninominais que “visa criar um sistema eleitoral que sobretudo favoreça e estimule a concentração de votos no PS e no PSD”.

Na sua opinião, trata-se de “uma solução de engenharia eleitoral que lhes garanta formar governos com menos votos e eternizar o sistema de rotativismo bipolarizador”.

“Uma solução para recuperar o atual sistema bipartidário, de governação, que começa a abrir brechas, de forma a garantir a continuação da sua hegemonia e alternância de governação, não vá o povo um dia mudar de opinião e também mudar de voto”, acrescentou.


O líder comunista criticou o secretário-geral do PS, António Costa, por ter dito que “se não tiver maioria absoluta, o Presidente da República poderá vir a prolongar a agonia deste Governo até lá para abril”.

“Mais uma jogada inteligente. Ou será chico espertismo? Porque, naturalmente, o que se pretende é assustar muitos eleitores com esta ameaça de uma possível vitória da direita”, alertou.