O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou esta terça-feira os «cortes brutais» aplicados a todos os níveis de ensino, incluindo no superior, e defendeu que o Estado português deve assumir as suas responsabilidades neste setor.

«O Estado não se pode demitir da responsabilidade do setor da educação, incluindo no plano universitário, porque, obviamente, se não há orçamento para as universidades, quem vai ter que pagar pela via das propinas são as famílias», afirmou Jerónimo de Sousa, aos jornalistas, durante uma arruada na cidade de Viseu.

Instado a comentar a norma do Orçamento do Estado de 2014 que impede as instituições de ensino de terem receitas superiores às conseguidas em 2012, Jerónimo de Sousa considerou que «a questão central nem é essa», por prever «algum recuo do governo em relação a essa matéria».

«A questão central e de fundo são os cortes brutais que estão para ser aplicados a todos os níveis do ensino, não só no ensino superior, afogando as escolas, as universidades, tornando incomportável a gestão e a administração, com consequências dramáticas nos alunos e nas famílias», alertou.

Na opinião do líder comunista, a educação tem sido vista «como um custo e não como um investimento».

«Este Governo está decidido ¿ e a proposta de orçamento para 2014 vai comprovar isso mesmo - a (fazer) cortes brutais na educação, na saúde e também na proteção social», frisou à Lusa.

Jerónimo de Sousa afirmou que muitas famílias já não têm dinheiro para pagar os custos da educação e que atualmente muitas das propinas «já estão no limite, com custos insuportáveis para as famílias».

«Infelizmente, estamos a assistir outra vez a esse regresso ao passado onde filho de doutor tem de ser doutor, filho de trabalhador tem de ser trabalhador ou desempregado», lamentou.