“O PCP reafirma a sua condenação ao processo de chantagem e asfixia financeira prosseguida pela União Europeia e o FMI [à Grécia], visando o prosseguimento e intensificação da política de empobrecimento, exploração e submissão ao serviço do grande capital e do diretório das grandes potências europeias”, disse no comício de apresentação dos candidatos pelo distrito do Porto.

O acordo entre a Grécia e os países da zona euro, que prevê um terceiro resgate financeiro, é um processo de “inaceitável ingerência” que, explorando e tirando partido de contradições e cedências do governo grego, dá continuidade à situação de “catástrofe social e económica” do país, frisou.

“Um processo que acima de tudo revelou a expressão mais crua da natureza política da União Europeia e ao serviço de quem está”, entendeu.

Segundo o comunista, o acordo alcançado na Grécia, contrário às aspirações do seu povo, demonstra, uma vez mais, a necessidade de renegociar a dívida, libertando o país da submissão ao euro e garantindo a soberania monetária, orçamental e económica.

Eleições legislativas

Quanto às eleições legislativas, Jerónimo de Sousa lembrou que estas não são apenas para eleger um primeiro-ministro, como o PSD/CDS-PP e PS querem fazer crer, mas para eleger 230 deputados que serão chamados a debater e aprovar leis, fazer opções decisivas sobre a política nacional e fiscalizar a atividade do Governo.

“Não tenhamos ilusões, há portugueses que pensam que a principal finalidade destas eleições é escolher um primeiro-ministro e que, como a toda a hora lhes dizem que um primeiro-ministro só pode sair do PS ou do PSD, são sensíveis à ideia mentirosa de que as únicas opções de voto são as deles”, salientou.

Jerónimo de Sousa realçou que PS, PSD e CDS-PP estão, neste momento, em grandes manobras de fingimento político, visando iludir os portugueses.

“É sempre assim, andaram juntos a espalhar as pragas, cometeram ambos os mesmos pecados e agora que se estão a aproximar as eleições aí os temos a tentarem disfarçar as suas comuns responsabilidades, mas particularmente a escamotear os seus reais propósitos e projetos para o futuro”, ressalvou.

O atual governo colocou a vida dos portugueses “no fundo”, mas agora pede às pessoas para não estragar o que já foi feito, adiantou.

“Deixaram o país numa situação pior do que estava, mais frágil, mais dependente e, ao mesmo tempo, mais injusto e mais desigual e com todo o desplante dizem: não estraguem o que já foi feito”, enfatizou.

Para o secretário-geral do PCP, as eleições legislativas são um momento da maior importância na luta pela “rutura” com a política de direita e a “viragem inadiável e necessária” na vida nacional, como reporta a Lusa.