O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, condenou esta terça-feira a «oratória de propaganda» do Governo da maioria PSD/CDS-PP sobre a dívida portuguesa, afirmando que «os números falam por si» e é preciso avançar para a renegociação.

«O primeiro-ministro e a ministra das Finanças garantiam a pés juntos que a dívida continuava a ser sustentável e iria ser reduzida. Foi mais um anúncio, uma promessa, que falhou. A dívida e o serviço da dívida estão a atingir níveis insustentáveis e cada vez mais tem atualidade a nossa proposta de renegociação nos prazos, montantes e juros porque funcionam como um autêntico garrote financeiro ao país», disse.


O líder comunista fora questionado, na sede lisboeta do PCP, sobre a justificação de Maria Luís Albuquerque de que o aumento da dívida pública em 2014 se deveu ao reforço do financiamento nos mercados para antecipar o reembolso ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

«É mais uma daquelas promessas e garantias que o primeiro-ministro gosta de dar. Os tais bons sinais de que as nuvens negras foram afastadas. As coisas continuam a agravar-se e justifica-se romper com este bloqueio. Como devedores também temos direitos», defendeu Jerónimo de Sousa.

Segunda-feira, o Banco de Portugal divulgou que a dívida das administrações públicas na ótica de Maastricht fixou-se em 128,7% do PIB em 2014, acima do verificado em 2013 e da meta fixada pelo Governo para o ano passado.

«É na defesa dos interesses nacionais que consideramos que isso faz parte da oratória de propaganda por parte do Governo. Os números falam por si. Não somos nós que inventamos este aumento da dívida. Confiar que a Europa, a União Europeia (UE), está muito preocupada com isto, não é verdade», afirmou, confrontado com declarações do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, o qual antecipou «uma trajetória descendente» da dívida em 2015.

Portas declarou-se «não grego, não alemão», mas sim «português e europeu», a defender os interesses de Portugal.

«Tem de ser o esforço dos próprios portugueses para libertarmos este país dos condicionamentos e do intervencionismo da UE. Precisamos de encontrar as soluções duradouras sustentáveis que passam pelo afastamento destes condicionamentos. O discurso proclamatório vale sempre o que vale e os factos falam por si», concluiu o secretário-geral do PCP.

Jerónimo de Sousa defendeu ainda a necessidade de «investir nos portugueses», algo que considera não se tratar «de nenhuma despesa», sendo a saúde «uma questão fulcral e para o bem-estar das pessoas», reporta a Lusa.

«É preciso pôr fim a esta política de destruição do Serviço Nacional de Saúde», afirmou, após encontro com uma comitiva da Federação Nacional dos Médicos.