O secretário-geral do PCP lamentou, esta quarta-feira, a «Constituição Sombra» pela qual se rege a coligação governamental e repreendeu o sorriso do primeiro-ministro, no debate sobre o estado da Nação, no parlamento, enquanto falava do grupo BES.

«É um país governado por uma coligação que se rege por uma "Constituição Sombra" e em confronto com a única Constituição legítima», condenou Jerónimo de Sousa, analisando que Portugal ficou «economicamente destroçado, dilacerado no plano social e politicamente fragilizado», onde reina «descrença, desilusão e desencanto», após o programa de assistência económico-financeira «imposto».

Para o deputado comunista, «o estado da Nação é hoje um país que está mais dependente e sujeito ao arbítrio do estrangeiro, condenado a viver hoje e por muitos anos em regime de liberdade condicional».

Já quando se referiu ao BES, ainda no púlpito principal da Assembleia da República e com vista privilegiada sobre a bancada do Governo da maioria PSD/CDS-PP, Jerónimo de Sousa criticou os sorrisos de Passos Coelho, uma vez que o líder do executivo tinha afirmado há pouco tempo não conhecer qualquer problema naquela estrutura empresarial, originalmente da família Espírito Santo.

«Ri-se? Tenha sentido de responsabilidade», exigiu o líder comunista, recebendo em troca uma cara de poucos amigos e palavras impercetíveis por parte de Passos Coelho, visivelmente aborrecido pela chamada de atenção.

«O que se passa com o BES, como já haviam demonstrado BPN, BPP, Banif, BCP, são não apenas práticas obscuras, de manipulação de contas e do mercado ou de fuga e evasão fiscais, com a passividade do Banco de Portugal, mas ligações tentaculares de domínio económico e político, numa inadmissível promiscuidade para obter apoios públicos, perdões fiscais e toda uma panóplia de benesses e favorecimentos para os seus negócios», tinha afirmado o parlamentar do PCP.

Segundo Jerónimo de Sousa, «pelo silêncio de anos e anos e de tão fundas e estreitas relações, os partidos ditos do arco da governação bem podiam passar a ser chamados do arco da banca depois de terem sido do arco da troika».

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