Jerónimo de Sousa contesta o que defende o Presidente da República, Cavaco Silva, que hoje defendeu uma acordo de incidência parlamentar depois das eleições. Em entrevista à TVI e TVI24, no programa "Tenho uma pergunta para si", o líder do PCP não usou meias palavras para classificar o discurso do chefe de Estado.

"O Presidente da República está claramente a exagerar nos seus poderes que a Constituição da República consagra. Deixemos os eleitores decidir"


O líder comunista defendeu que cabe sim ao Presidente da República ouvir o partido mais votado nas eleições, mas que é a própria AR, "conforme a arrumação de forças e posicionamento dos 230 deputados eleitos" que determinará a solução.

Sobre se o PCP pondera coligações, Jerónimo de Sousa disse que "essa imagem de dar a mão não é uma resposta de rigor" e defendeu que o seu partido está preparado para assumir responsabilidades governativas. É só o povo querer.  
 

"Entendimentos e acordos sempre houve, o grande problema é o conteúdo. Uma questão primeira e principal é a necessidade de uma política alternativa, capaz de criar rutura. O dilema é a escolha de dois caminhos"

À pergunta de uma jovem estudante sobre o facto de o PCP, ao negar uma aproximação ao PS, poder estar a dar força à direita, Jerónimo de Sousa discordou dessa visão.

"Não é o PC que empurra que o PS para a direita, o PS livremente tem encetado esse caminho, realizando politicas de direita. Da parte do PCP, nunca há recusa para um dialogo franco e sincero, nomeadamente na Assembleia com propostas significativas"

E, fiel ao discurso do seu partido, quis frisar que o PCP nunca deixará de apoiar "uma alternativa patriótica e de esquerda".

Jerónimo de Sousa socorreu-se do exemplo das privatizações, para salientar que o PS diz "devagarinho”, PSD/CDS dizem "depressa", mas, no final de contas, "é o mesmo".

O PCP defende a nacionalização dos setores estratégicos, mas várias empresas já foram vendidas e a estrangeiros. Iria o PCP a Pequim ou a Luanda comprar essas empresas? Por exemplo, a EDP, nas mãos da China Three Gorges? Jerónimo de Sousa responde que, primeiro, era preciso "traçar esse fim" e que usaria os lucros que estão a ir para o estrangeiro para ter dinheiro para trazer de volta essas companhias para as mãos do Estado. 

"Num outro aspeto, não defendemos a nacionalização tout court, mas o controlo público desses setores e empresas por parte do Estado, através de uma regulação e supervisão eficazes"


Outro exemplo do afastamento em relação aos chamados partidos do arco da governalção: a renegociação da dívida "que está a sufocar". "A resposta do PS é idêntica ao PSD”.

A CDU (PCP/Os Verdes) apresenta-se nestas eleições com a ambição e, porque entende que tem "essa capacidade própria",  de "crescer em termos de votos e número de deputados", disse ainda Jerónimo de Sousa, afirmando que "é relativo" se a abstenção poderá ajudar a coligação de esquerda.