O secretário-geral do PCP congratulou-se, esta quarta-feira, com a indigitação de António Costa para primeiro-ministro. Algo que aconteceu, notou, "50 dias depois" e mesmo assim com o Presidente da República a manifestar "contrariedade" na sua decisão, afirmou, alertando ao mesmo tempo para o  perigo de eleição do candidato presidencial da direita, Marcelo Rebelo de Sousa.

Jerónimo de Sousa começou por acusar Cavaco Silva de tentar "impedir e dificultar a concretização de uma solução governativa de acordo com a nova relação de forças políticas na Assembleia da República".

"Cinquenta dias depois, Cavaco Silva indigita António Costa como primeiro-ministro e põe termo à crise que ele próprio criou, em desrespeito da vontade da Assembleia da República e dos deveres constitucionais. Fá-lo, e é preciso sublinhá-lo, não escondendo, quer pelos pressupostos, quer pelos termos em que o faz, a sua manifesta contrariedade perante uma solução que, até ao último momento, tentou impedir"


No parlamento, o líder comunista aproveitou ainda para se referir às eleições presidenciais, marcadas 24 de janeiro. A esse propósito, advertiu que um "objetivo inseparável" da contribuição a que "trabalhadores e povo" serão chamados é assegurar que, nas eleições para Presidente da República, "se impeça que seja continuado o percurso de comprometimento com a política de direita e de confronto com a Constituição da República que PSD e CDS já preparam, com o apoio do seu candidato".

O apoio ao candidato presidencial e antigo presidente social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa foi admitido para breve pelo ainda primeiro-ministro da coligação PSD/CDS-PP, Passos Coelho, em recente entrevista televisiva.



Que "solução" para a sobretaxa?

 

Jerónimo de Sousa mostrou-se convicto numa "solução", até "regimental" no parlamento, para a nova maioria de esquerda lidar com a eliminação da sobretaxa de IRS e a reposição salarial na função pública e sua progressividade.

Em causa, estão os diferentes ritmos na devolução de rendimentos aos cidadãos defendidos pelo PS, com responsabilidade governativa, e BE, PCP e PEV, que apoiam os socialistas na Assembleia da República, podendo os diplomas baixar à discussão na especialidade sem votação na generalidade, por exemplo, a fim de serem mais consensualizados.

"Durante as reuniões de trabalho, alcançámos a convergência que alcançámos. Foram atingidos objetivos comuns, que se separam na questão do tempo, do ‘quando', mas estaremos disponíveis para ser encontrada uma solução legislativa que respeite esse princípio da devolução dos salários, pensões e reformas e para a carga fiscal injusta que foi aplicada por PSD/CDS aos trabalhadores e reformados", declarou.

Frisando que o seu partido esteve e estará "sempre contra a manutenção dos cortes nos rendimentos", Jerónimo de Sousa esclareceu que há o compromisso de "rejeição de qualquer moção de rejeição do programa do Governo do PS apresentada por PSD e CDS" e que "nunca esteve em cima da mesa moção de confiança".

"No quadro da discussão, tanto no plenário como na comissão [parlamentar] especializada, existe uma grande disponibilidade para encontrar a melhor solução que respeite este princípio que consideramos fundamental", especificou, ainda relativamente à legislação sobre devolução de regressão da sobretaxa de IRS e reposição dos cortes salariais na função pública.