O secretário-geral do PCP acusou este domingo o primeiro-ministro de ter ido ao Japão prometer que Portugal é «um paraíso para os exploradores», garantindo competitividade pelos baixos salários e pelo trabalho sem direitos.

Num comício realizado este domingo em Santarém, com duras críticas à política agrícola do Governo, Jerónimo de Sousa referiu-se à visita de Pedro Passos Coelho ao Japão, dizendo que, no sábado, o primeiro-ministro procurou «vender a ideia que Portugal pode ser uma das nações mais competitivas do mundo».

«Do que fala Passos Coelho aos empresários japoneses para os aliciar a investir em Portugal? Da capacidade científica e do elevado nível de desenvolvimento tecnológico do país ou da educação? Do elevado esforço de investimento que se tem feito na capacidade produtiva do país e das suas infraestruturas?», questionou.

E respondeu: «Não! O que ele estava a garantir era competitividade pelos baixos salários, pelo trabalho sem direitos, pela exploração sem limites! Aliás, na exata medida do discurso do Presidente da República na sua ida a França e perante empresários franceses. O que estava a prometer era um Portugal paraíso para os exploradores».

O líder comunista criticou o projeto da maioria de «crescimento sem desenvolvimento, (…) sem melhoria das condições de vida das pessoas».

Jerónimo de Sousa apontou as Contas Nacionais divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística na sexta-feira, confirmando que «a dívida continua a subir, apesar do maior aumento de impostos da história sobre o trabalho e da venda ao desbarato do património do país».

«É esta a volta que estão a dar e ainda falam em cofres cheios! Dizem que é para pagar a dívida, mas a verdade é que não estão a pagar dívida nenhuma, mas apenas a trocar dívida velha, por dívida nova», disse, sublinhando que a «sangria de juros», mais de 8.000 milhões de euros/ano, é “mais do que o país gasta no Serviço Nacional de Saúde”.

O líder comunista referiu-se também à visita do secretário-geral do PS a França, acusando António Costa de estar a «tratar de garantir» com François Hollande, e com o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, a proposta de «leitura inteligente do Tratado Orçamental», que, no seu entender, é a «solução da quadratura do círculo que estava por inventar» ao jurar «cumprir à risca as regras da dívida e do défice previstas no Pacto Orçamental até 2019, sem austeridade, com uma reforma do Estado sem cortes e muito crescimento».

«É isso que estão a tratar com Hollande, o mesmo que deu uma volta de 180 graus e está a impor neste momento ao povo francês um volumoso pacote de medidas da dita austeridade, e com o senhor Renzi, esse mesmo que tem em curso o mais brutal ataque aos direitos laborais dos trabalhadores italianos. Há aqui qualquer coisa que não bate certo», declarou.