O secretário-geral do PCP considerou este sábado  que tem sido correspondido o apelo feito pelos comunistas ao Governo de ser isento e imparcial no Orçamento do Estado para 2018, tendo em conta as autárquicas, avisando que mantém a preocupação.

Eu quero aqui sublinhar, com todo o sentido de responsabilidade, que nós próprios colocamos recentemente ao Governo a necessidade de se manter numa posição de isenção e de imparcialidade tendo em conta a batalha eleitoral para as autárquicas. Foi um apelo concreto que fizemos. No essencial parece ter sido correspondido, mas mantemos esta preocupação", afirmou aos jornalistas Jerónimo de Sousa após uma visita ao Espaço Ciência da Festa do Avante!.

O secretário-geral comunista foi questionado pelos jornalistas sobre as críticas feitas pelo líder da oposição, Pedro Passos Coelho, de que o Governo está a fazer as negociações do Orçamento do Estado para 2018 (OE2018) com fins eleitorais.

Eu creio que o PSD, particularmente, e o CDS não há meio de encontrarem um pé em relação a esta nova realidade de reposição, de direitos e rendimentos. Mas pronto, adiante", começou por responder.

Manter "a isenção e a imparcialidade e não transformar o Governo em força eleitoral neste quadro da batalha das autárquicas" é, para Jerónimo de Sousa, fundamental.

A proposta do Orçamento do Estado tem o seu tempo e o tempo é depois das eleições autárquicas. Eu acho que esse tempo deve ser respeitado, a par da disponibilidade do exame comum da parte do PCP", considerou quando interrogado sobre a sugestão de Passos Coelho ao Governo de apresentar a proposta orçamental antes das eleições autárquicas de 01 de outubro.

O líder comunista defende, por isso, que "era importante que o OE2018 fosse discutido e votado em conformidade com os prazos".

Para o líder do PCP, em relação ao OE2018, "entretanto surgiram anúncios de medidas positivas".

Ao contrário do PSD nós achamos que isso é um bem e não um mal", atirou, apesar de garantir que o PCP não descansa "até porque mesmo em relação aos avanços verificados", que valorizam, continuam "a considerar que são claramente insuficientes".

Para Jerónimo de Sousa, "as eleições autárquicas são para o poder local, mas também terão impacto no plano nacional".