O líder do PCP considera que o Governo subestimou os riscos de uma tragédia como a dos incêndios de domingo passado, mas não está disposto a abdicar da reposição de direitos e rendimentos em detrimento da reforma da floresta.

O Governo não ficou bem na fotografia. Talvez tenha subestimado os riscos que continuavam a existir (…) em relação à possibilidade real de acontecer oura tragédia, como aconteceu no domingo passado”, afirmou Jerónimo de Sousa, em entrevista à Antena 1.

Na entrevista, o líder comunista defende que o Estado tem, por isso, de assumir as suas responsabilidades, mas sublinha: “O problema é saber como vão ser encontradas medidas e soluções para evitar dramas desta dimensão, desta natureza”.

Para financiar a reforma da floresta, Jerónimo de Sousa diz não estar disposto a abdicar de algumas conquistas para os trabalhadores, como a reposição de direitos e rendimentos, e defende que tal pode ser feito com um aumento de 0,2 pontos percentuais no défice.

“Tivemos um excedente de 5.000 milhões de euros que o Governo tem tentado atirar para o poço sem fundo do défice e da dívida”, procurando uma “redução a mata cavalos” e indo “mais longe do que os critérios impostos pela União Europeia”, considerou.

“Expliquem-me porque é que tem de ser 1% e não 1,2%, estamos a falar de 400 milhões de euros. (…) Se me explicarem qual é o crime, qual a inviabilidade e a reação de uma União Europeia que definiu os 3% e faz vista grossa em relação a outros países”, ironizou o líder do PCP, para quem estes 0,2 dariam “uma resposta fundamental em termos de financiamento”.

É preciso “um reforço de meios financeiros, humanos e logísticos, mas temos de encontrar uma solução, não é tirar o pão da boca a quem foi tão martirizado durante quatro anos, com o corte de direitos e rendimentos, e retirar-lhe outra vez em nome da defesa da floresta”, afirmou.

Questionado sobre se estaria disposto a abdicar de um quarto do descongelamento das carreiras da função pública ou do alívio do IRS que o Orçamento para 2018 comporta, Jerónimo de Sousa respondeu: “Somos claramente contra esta dicotomia”.

A entrevista será transmitida na íntegra no sábado, pelas 12:00.