Nem Maria de Belém, nem Sampaio da Nóvoa: o PCP está focado em Edgar Silva. Foi esta garantia que o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, deixou, esta quinta-feira, em entrevista ao “Jornal das 8” da TVI.

Candidato pelo PCP nas eleições de 1996 e 2006, nas primeiras acabou por desistir da corrida a Belém para apoiar o candidato do PS, Jorge Sampaio. Hoje as circunstâncias são “diferentes”, e o partido não pensa, de todo, em abandonar estas eleições.

O objetivo do PCP é conseguir uma segunda volta e colocar na Presidência da República alguém que “olhe para a Constituição para a cumprir e fazer cumprir”, garantiu Jerónimo de Sousa. É, portanto, vontade do partido “mobilizar o eleitorado” para votar em Edgar Silva, não colocando a hipótese de apoiar outro candidato antes de uma segunda volta, se esta vier a acontecer.

“Vamos procurar mobilizar o nosso eleitorado para uma votação significativa, importante, na candidatura do meu camarada Edgar Silva. (…) Neste momento aquilo para que estamos disponíveis é participar na batalha e ir a votos no dia 24.”


Jerónimo de Sousa disse que nem Sampaio da Nóvoa, nem Maria de Belém, “perfilam a ideologia” do PCP, e que mais importante que questionar o partido sobre um eventual apoio a um destes candidatos, o melhor é perguntar ao PS, que não se decidiu por nenhum.

“Nem um nem outro perfilam o nosso projeto, a nossa ideologia. (…) Temos acompanhado a pré-campanha eleitoral, continuamos a verificar diferenças substanciais em relação a esses dois candidatos, [mas] pensamos que aqui a questão de fundo, mais importante que perguntar ao PCP era perguntar ao PS”.


“Há uma coisa que posso avançar, o PCP não apelará à abstenção ou ao voto branco/nulo. Mediante o resultado que se verificar nesta primeira volta decidiremos em conformidade. (…) Tudo faremos para que seja Edgar silva, este é o primeiro objetivo. Não sendo, perante o candidato que passar à segunda volta, faremos uma opção”, acrescentou.

O secretário-geral do PCP rejeita, também, que Marcelo Rebelo de Sousa já tenha sido “eleito”, só porque as sondagens o colocam muito à frente dos outros candidatos, e lembra o caso de Cavaco Silva, em 2006, que conseguiu um resultado abaixo daquele que lhe era apontado.

“Lembro-me no ano de 2006 (…) Cavaco Silva foi eleito por décimas, quando as sondagens lhe davam 60%, 58%. Nada está perdido, nada está adquirido [e] o povo português não se pode deixar substituir por uma sondagem. (…) Há todas as condições para derrotar o candidato da direita. (…) Não impressionam nada as sondagens, porque em matéria de presidenciais falharam sempre rotundamente. Já vimos o professor Marcelo Rebelo de Sousa, ao principio, com 58%, ou 56%, agora já lhe dão 52%.”


Questionado sobre o orçamento para a campanha eleitoral, estimado em mais de 700 mil euros, ultrapassando largamente o de Marcelo Rebelo de Sousa, Jerónimo de Sousa avisou que o partido não espera gastar toda essa quantia, e alertou para a probabilidade das estimativas dos outros candidatos estarem bastante abaixo da realidade.

Jerónimo aproveitou, ainda, para apontar o dedo a Marcelo Rebelo de Sousa que disse “não precisar” de cartazes de campanha, uma vez que andou a ser “promovido” durante 14 anos.

“Em relação ao candidato Marcelo Rebelo de Sousa eu ia-me escangalhado a rir quando o ouvi dizer que não ia fazer cartazes porque custavam muito dinheiro. Ele andou em cartaz permanente durante 14 anos, como comentador, bem dispensa os cartazes. Foi promovido sistematicamente, não precisa, de facto, desse investimento.”


Durante a entrevista, Jerónimo de Sousa foi, também, questionado sobre a estabilidade do acordo firmado com o Partido Socialista, que garantiu a aprovação do programa do Governo de António Costa, e reiterou que se trata de um entendimento onde algumas "divergências não foram ultrapassadas".

“Não há um acordo parlamentar, há uma posição conjunta do PS com o PCP. (..) [Serve para dar] respostas urgentes a anseios muito fortes por parte dos trabalhadores e do povo português que durante quatro anos viram a sua vida tão infernizada com os cortes. (…) Procuramos dialogar com PS, procuramos esse grau de convergência, reconhecendo, no entanto, que existem divergências que não foram ultrapassadas e que não estão contidas nessa posição conjunta.”

Jerónimo voltou a afirmar que o PCP se disponibilizou para apoiar o PS, em matérias como o Orçamento do Estado, mas sem certezas dadas, porque não podia "garantir que ia aprovar" um documento que "não existia". Este é um Governo do Partido Socialista, continuou, com o qual o PCP tentou “convergir” até onde era possível, em nome dos “trabalhadores e do povo”.

“É um governo do PS, com o programa do PS, com muitas matérias onde não acompanhamos o partido Socialista. (…) O PCP tentou convergir até onde era possível e até ao máximo onde fosse possível, não exigimos que fosse praticada a política patriótica e de esquerda que defendemos. (…) O nosso principal compromisso é com os trabalhadores e com o povo.”