O líder comunista lamentou esta quinta-feira o "falhanço rotundo" do Banco de Portugal (BdP), sem se centrar no seu governador, insistiu na necessidade de "controlo público" do setor e confirmou haver propostas autónomas para devolver salários na função pública.

À margem de uma visita ao Instituto de Apoio à Criança (IAC), Jerónimo de Sousa foi questionado sobre a situação do Banif e defendeu que a "questão do governador do BdP [Carlos Costa] não pode ser uma responsabilidade individualizada".

"Aquilo que os portugueses constatam é que aquela ideia da regulação e supervisão da banca é um falhanço rotundo. O problema é estrutural. Pode-se alterar os poderes do governador, mas sem uma outra visão - nós defendemos o controlo público da banca -, é preciso uma solução nova", disse.


O primeiro-ministro, o socialista António Costa, prometeu na véspera uma "reflexão séria" a promover pelo Governo junto da Assembleia da República sobre o "desenho institucional" do BdP e instituições financeiras de modo a preservar o bom funcionamento desse mesmo sistema, reconhecendo o "quadro ultra limitado" do executivo para enfrentar o problema no Banif.

Para Jerónimo de Sousa, há que "pôr a banca ao serviço do país e do povo e não o povo português ao serviço dos banqueiros".

Sobre a devolução dos cortes salariais na função pública, o secretário-geral do PCP confirmou que os comunistas têm propostas autónomas, à semelhança do que aconteceu com a eliminação da sobretaxa de IRS.

"Tudo faremos para ser encontrada uma solução para que sejam repostos direitos e salários. Temos propostas, sim", afirmou Jerónimo de Sousa.


A questão vai ser hoje alvo de debate em sede de comissão parlamentar e será alvo de votação na sessão plenária de sexta-feira. Quarta-feira, também na especialidade, o PCP apresentou iniciativas autónomas sobre a sobretaxa de IRS, mas acabou por votar favoravelmente à solução apresentada pelos socialistas.