O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou as posições assumidas pelo primeiro-ministro e pelo PS quanto ao acordo entre a Grécia e o Eurogrupo, que considerou ser uma “chantagem e condicionamento financeiro”.

Comentando as declarações de Pedro Passos Coelho, que afirmou na segunda-feira que foi uma ideia sua que ajudou a desbloquear o último obstáculo das negociações com a Grécia, o líder comunista dirigiu-se diretamente ao chefe de Governo: “Não queira subir acima do chinelo, senhor primeiro-ministro”.

“O primeiro-ministro, depois de todo o alinhamento que teve com as posições mais ‘draconianas’ de setores da União Europeia, que admitiu a saída da Grécia da zona euro, vem agora meter o dedo no ar porque fez uma proposta de que uns quantos milhares de milhões de euros fossem para financiar a banca”, afirmou Jerónimo de Sousa aos jornalistas, após uma reunião com a direção do Teatro nacional de S. Carlos, em Lisboa.


PCP critica também a posição do PS sobre acordo alcançado


Jerónimo de Sousa afirmou sentir-se também preocupado com as declarações do Partido Socialista acerca do acordo entre a Grécia e os credores internacionais, questionando se será uma “leitura inteligente”

“Um lamento profundo em relação às declarações do Partido Socialista e da sua voz mais autorizada que saúda este acordo”, afirmou.


O PS congratulou-se na segunda-feira com o acordo alcançado sobre a Grécia na cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, considerando que só foi possível graças ao empenho dos socialistas europeus no processo negocial.

“Será esta a leitura inteligente que António Costa faz do tratado orçamental, da política da União Europeia quando vimos uma social-democracia comprometida com este processo de chantagem, de extorsão, de alienação da soberania?”, questionou, acrescentando que “fica uma grande preocupação por este posicionamento.

Jerónimo de Sousa condenou o acordo entre a Grécia e os países da Zona Euro que prevê um terceiro resgate financeiro para aquele país, que considerou que “desmascara a verdadeira natureza política da União Europeia, particularmente desses protelados valores da coesão e da solidariedade que não houve nunca”.

“Um sentimento de condenação muito forte pela chantagem, pela pressão, pelo condicionamento mesmo em termos financeiros que conduziu a um acordo onde se procurou no essencial alienar a soberania ao povo grego, naturalmente humilhá-lo”, acrescentou, de acordo com a Lusa.

O líder comunista declarou também que este processo permite demonstrar a atualidade das propostas do PCP em relação à renegociação da dívida e ao estudo e preparação para uma eventual “libertação do euro ou então num processo em que o risco de expulsão se verifique”, sublinhando ser “uma irresponsabilidade não fazer esse estudo, essa preparação” que considerou “fundamental”.

“Se por acaso o euro for um condicionamento ao nosso livre desenvolvimento e à afirmação da nossa soberania, nós consideramos que o caminho tem de ser outro”, referiu o secretário-geral do PCP.