O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou esta quarta-feira, durante um desfile de protesto pela demissão do Governo, que o executivo «não tem conserto» e que o Presidente da República deve dissolver a assembleia.

«Nesta situação nebulosa, pouco dignificante, de um Governo que não tem conserto, dada esta situação desastrosa, é fundamental, é exigente, que se dissolva a assembleia, que se convoque eleições, que ninguém tenha medo de dar a palavra a povo, porque é onde reside a soberania nacional», disse Jerónimo de Sousa aos jornalistas.

O secretário-geral do PCP falava à imprensa encabeçando uma fila de largas centenas de manifestantes, que, caminhando do Chiado ao Rossio, gritaram palavras de ordem, de bandeiras na mão, exigindo a demissão do Governo.

Para Jerónimo de Sousa, «tendo em conta esta degradação institucional e o espetáculo que este Governo está a dar, o Presidente da República só tem uma solução: dissolver a assembleia e convocar eleições antecipadas».

Questionado sobre se entende que Paulo Portas, que, na terça-feira, apresentou a sua demissão do cargo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, deve explicar-se aos portugueses, Jerónimo de Sousa respondeu que o líder do CDS-PP «decidiu ir embora para fugir aos apertos em que estava», mas sublinhou que é preciso esperar para ver «se (afinal) o CDS não quer prosseguir esta política, mesmo sem Paulo Portas».

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, apresentou na terça-feira o seu pedido de demissão ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, uma decisão que classificou como «irrevogável» e que justificou com a discordância na escolha de Maria Luís Albuquerque para a pasta das Finanças, depois da saída de Vitor Gaspar, na segunda-feira.

Na terça-feira à noite, numa declaração ao país, Pedro Passos Coelho anunciou que tenciona manter-se como primeiro-ministro e disse que seria «precipitado» aceitar de imediato o pedido de demissão de Paulo Portas, pelo que não propôs a exoneração do ministro dos Negócios Estrangeiros ao Presidente da República.

Paulo Portas disposto a salvar coligação

Pedro Passos Coelho comunicou ainda a intenção de esclarecer as condições de apoio político ao Governo de coligação com o CDS-PP e o sentido da demissão do ministro Paulo Portas.

Hoje reuniu-se a comissão executiva do CDS-PP, onde têm assento os membros do «núcleo duro» da direção do partido.