O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, apelou esta terça-feira, na Marinha Grande, ao voto na CDU nas eleições europeias, como uma oportunidade para «forçar» eleições legislativas antecipadas.

Num jantar comício, Jerónimo de Sousa considerou que as eleições europeias «são de grande importância, também porque são a oportunidade para, com um importante reforço da CDU, infligir uma pesada derrota ao governo, forçar a sua demissão e a imediata convocação de eleições antecipadas».

Ao mesmo tempo, será também «uma oportunidade para expressar o mais vivo repúdio e condenação dos partidos da troika nacional e da sua política, responsáveis pelo afundamento do país e o empobrecimento dos trabalhadores e do povo», salientou o secretário-geral comunista.

«Não nos conformamos que o país tenha que esperar por 2015 para pôr este governo na rua, tal como não nos conformamos com a ideia de que o país está condenado ao círculo vicioso do rotativismo dos partidos da troika nacional, que condenam o país à crise e os trabalhadores e ao desemprego, à exploração e ao empobrecimento», sublinhou Jerónimo de Sousa.

Para o secretário-geral do PCP, a anunciada «saída limpa» da troika é «um exercício de mistificação e mentira».

«O que Passos Coelho anunciou, em nome do governo, não foi uma saída limpa, mas uma saída manchada de negro pelo garrote da exploração do país e do povo», criticou Jerónimo de Sousa ao acusar PS, PSD e CDS de terem «imposto» ao país «o pacto dos banqueiros» e «do roubo dos rendimentos e dos direitos».

Para o secretário-geral, «se o povo os não derrotar, [PS, PSD, CDS]», verificar-se-á «a perpetuação da troika e da sua política, para manter o rumo de exploração, declínio económico e dependência a que querem amarrar os portugueses».

Jerónimo de Sousa questionou «que saída é esta quando se preveem, pelo menos ,20 anos de política de mais sacrifícios para o povo, mais injustiças e pobreza?»

O comunista exemplificou que se trata da «saída dos cortes transitórios nos salários ou nas pensões» para «os cortes permanentes» e que «deixa um rasto de destruição de emprego brutal», com «mais de 305 mil empregos destruídos em três anos».

A dívida, «que diziam colossal, ainda ficou mais agravada», com um «aumento de mais 50 mil milhões».

«Não há saída limpa nenhuma enquanto o país estiver amarrado aos interesses dos especuladores e sufocado por uma dívida e um serviço da dívida insustentáveis que impede o crescimento económico», garantiu.

A possibilidade da «baixa de preço da energia e de uma baixa dos impostos», bem como «o aumento do salário mínimo nacional» são para Jerónimo de Sousa «promessas eleitorais».

Para o líder do PCP, «a saída que assegura a nossa soberania e o direito a um Portugal desenvolvido, exige a urgente renegociação da dívida, a renúncia ao Tratado Orçamental, o abandono da submissão do País à ditadura do euro e da União Europeia».

Essa saída «pode começar a ser construída no próximo dia 25, com o voto na CDU», disse.