O secretário-geral do PCP acusou o Governo de não ter tido “a mais elementar prudência” ao decidir passar à fase de negociação com os candidatos à aquisição da EMEF e da CP Carga. Jerónimo de Sousa falava num comício que juntou, na quinta-feira à noite, algumas centenas de pessoas no largo Padre Francisco Nunes da Silva, no centro histórico de Santarém, depois de um espetáculo com “músicas de Abril”.

O Governo passa à fase de negociação quando é “evidente o caráter criminoso destas opções”, sustentou.

Referindo-se à decisão tomada na reunião do Conselho de Ministros de quinta-feira, o líder comunista apontou em concreto a recusa de visto por parte do Tribunal de Contas aos contratos de 364 milhões de euros entre a EMEF e a CP “que o Governo mandou celebrar atabalhoadamente, quando a decisão de oferecer as locomotivas da CP ao comprador da CP Carga levantou uma justa indignação”. O PCP exige, assim, "o cancelamento do processo de privatização da EMEF e da CP Carga” e pede a reversão do “caminho da pulverização, da destruição da ferrovia”.

“Este processo em que o Governo mergulhou a ferrovia já atrasou mais de dois anos a reparação do meio de vida dos alfas pendulares, com prejuízos económicos e financeiros para a fiabilidade e segurança da operação ferroviária, e ameaça paralisar toda a operação. O Governo dá a ideia de acreditar que as sucessivas e milionárias contratações de propaganda da CP e das Infraestruturas de Portugal, num esforço que se manterá até à realização das eleições, alteraram a realidade económica e financeira da ferrovia, que se degrada aceleradamente por culpa das opções que tem tomado"


Apelando à manutenção do setor unificado e na esfera pública, o secretário-geral do PCP afirmou que a luta dos trabalhadores vai prosseguir, com novas jornadas agendadas para os dias 15 (Carris) e 16 (EMEF).