O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, alertou hoje para a situação caótica no transporte fluvial entre Lisboa e Seixal, com supressões de carreiras e avarias que podem, no limite, por em perigo os utentes.

Este grau de risco que se verifica nas travessias será bem avisado tomar medidas necessárias porque é assim que se evitam novas tragédias e novos Pedrógãos”, disse Jerónimo de Sousa, que esta manhã fez a travessia de barco entre o Seixal e o Cais do Sodré, em Lisboa.

A viagem desta terça-feira , explicou o secretário-geral do PCP, serve para demonstrar e alertar “para a situação caótica que tem vindo a acontecer nas empresas Transtejo e Soflusa”.

“As infraestruturas foram abandonadas, a manutenção e reparação praticamente não existe, a falta de investimento nas duas empresas levam a este estado de degradação”, disse.

Jerónimo de Sousa alertou ainda para o impacto desta situação na vida das pessoas que todos os dias atravessam o rio para trabalhar ou estudar em Lisboa.

São pessoas que trabalham e estudam e que viram as suas vidas transformadas num inferno e em risco por falta de condições de segurança”, frisou.

O secretário-geral do PCP explicou que o partido apresentou, no âmbito do Orçamento de Estado, uma proposta de reforço de uma verba de dez milhões de euros para as duas empresas e para o metropolitano de Lisboa.

É importante dar resposta estrutural a um problema estrutural e à necessidade de entrada de trabalhadores, de reparação e manutenção a tempo criando condições para o bem-estar das pessoas”, salientou.

As inúmeras supressões de carreiras por parte da Transtejo e Soflusa têm sido alvo de reclamações e protestos por parte da população, tendo sido criada uma comissão de utentes que já recolheu quatro mil assinaturas para que a questão seja discutida na Assembleia da República.

Orlando Gomes, da comissão de utentes, disse à agência Lusa que está também a ser criada uma plataforma com os passageiros do serviço da Transtejo que faz a ligação Montijo/Lisboa, uma vez que também nessa zona têm existido constrangimentos.

A Transtejo é a empresa responsável pelas ligações do Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão com Lisboa, enquanto a Soflusa faz a ligação entre o Barreiro e a capital.

Na iniciativa de hoje participou ainda o presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, que considerou este transporte de grande importância para a Área Metropolitana de Lisboa.

O serviço fluvial no Tejo é estratégico, deveria ser reforçado e temos assistido a uma desvalorização”, disse alertando também para as condições de segurança e garantindo que a autarquia tem vindo a chamar a atenção do governo para a situação.

Joaquim Santos afirmou ainda que, além da necessidade de descativação de dez milhões de euros para a reposição e manutenção da frota, é necessário repor as 39 carreiras entre Seixal e Lisboa, suprimidas há cinco anos.

Há que retomar essas carreiras para que mais pessoas deixem os carros em casa e utilizem o transporte público”, disse, acrescentando que esta ligação serve cinco mil utentes.