O secretário-geral comunista afirmou esta segunda-feira que «o desemprego é muito maior, mas a estatística é o que é», considerando não se perder nada com a auditoria do Tribunal de Contas (TdC) pedida pelo BE, embora adivinhe o resultado.

«Sejamos sérios, o desemprego não é o que o Governo diz e as estatísticas apontam. A realidade é diferente tendo em conta aqueles que já desistiram de encontrar emprego, de recorrer aos serviços do Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP) para encontrar uma alternativa. A verdade é que o desemprego é muito maior, mas a estatística é o que é», afirmou Jerónimo de Sousa, após um encontro com o Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI), em Lisboa.

O líder do PCP fora questionado sobre o projeto de resolução bloquista que visa avaliar os apoios estatais à inserção no mercado de trabalho para provar que a taxa de desemprego está acima dos 18%. O BE acusou o executivo da maioria de gastar 126 milhões de euros para ocupar pessoas, enquanto o primeiro-ministro mostrou-se confiante nos números do Instituto Nacional de Estatística, Eurostat (gabinete de estatística da União Europeia) e IEFP, apesar de reconhecer que são ainda elevados..

«Sim, mas acho que o resultado não vai demonstrar uma coisa muito diferente do que estou a dizer, desta denúncia que nós e outros fizemos, designadamente em sede da Assembleia da República. Não se perde nada, embora saibamos qual vai ser o resultado», disse Jerónimo de Sousa sobre o sentido de voto do seu grupo parlamentar face àquela iniciativa.

Para o secretário-geral do PCP, «as estatísticas permitem sempre leituras, mas a forma como são construídas também deve ser discutida».

«Sim ou não o fator emigração, mais de 250 mil portugueses, particularmente jovens desempregados, se verificou? Qual o número de pessoas que estão em cursos de formação ou estágios e são considerados empregados?», questionou.

Sobre as prestações sociais a reformados e pensionistas, o líder comunista lembrou que os governos socialistas iniciaram o seu congelamento e o atual Governo da maioria PSD/CDS-PP «abriu a porta a pontapé».

«Este Governo abriu a porta a pontapé e maltratou os pensionistas e reformados que, alguns trabalhando a vida inteira, numa relação de confiança com o Estado e a Segurança Social, viram as suas reformas serem cortadas, taxadas, congeladas, coisa que se repete neste orçamento do Estado».

O presidente do MURPI, Casimiro Menezes, concordou que «é fundamental que este Governo saia o mais rapidamente possível da governação dado que, cada dia que passa, são mais ações contra os trabalhadores e os reformados».

«Basta olhar para o orçamento do Estado, que contém medidas gravosas, mais austeridade sobre a austeridade que já existia. Por isso, há a necessidade urgente de susbtitução deste Governo», sublinhou.