O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje que o Governo socialista de António Costa deu contribuições e avanços importantes nos direitos dos trabalhadores e do povo português, mas ainda assim insuficientes.

"Os reformados e pensionistas, que viram a sua reforma congelada durante anos, agora que foi descongelada não houve aumento. Então esta é uma batalha importante a travar para nós", disse o líder comunista, em Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra, durante um jantar convívio.

Segundo Jerónimo de Sousa, que falava para mais de uma centena de pessoas, os reformados e pensionistas devem ser valorizados, "dando-lhes aquilo que têm direito, que é um aumento das suas reformas e das suas pensões".

Mostrando-se disponível para continuar a viabilizar o executivo socialista de António Costa, o secretário-geral do PCP frisou que existe o compromisso de examinar a proposta de Orçamento de Estado para 2017 e a dar "contribuições positivas para serem encontradas soluções".

"Mas em relação ao futuro do Orçamento e do Governo ele será tanto mais duradouro conforme responder aos anseios, às necessidades e aos direitos dos trabalhadores e do povo português", sublinhou o dirigente partidário.

Num discurso de quase 30 minutos, Jerónimo de Sousa disse que o PCP vai honrar "a palavra dada até ao fim" no acordo com o PS, mas ressalvou que "o primeiro e principal compromisso é com o povo português".

"Contem connosco no que for bom para o povo, não contem connosco naquilo que for negativo", salientou o líder comunista, que elegeu ainda o combate à precariedade laboral como outra das batalhas a travar no futuro.

O secretário-geral do PCP considerou ainda "inaceitável" a ingerência do Banco Central Europeu (BCE) na composição da nova administração da Caixa Geral de Depósitos, ao rejeitar oito nomes para o novo conselho de administração.

Jerónimo de Sousa apontou o dedo à União Bancária que, "entre outros objetivos, reforça os poderes do BCE sobre os bancos nacionais e as decisões agora conhecidas, que não se ficam pela estrutura da composição da nova administração da CGD, confirma, mais uma vez, não serem as instituições políticas nacionais a decidirem sobre matérias relevantes para o país".

"Mais do que a bondade, ou a maldade das exigências do BCE o problema é o seu mandonismo, a sua imposição, já não podemos decidir como é que o banco de Portugal deve agir, como é que devemos salvar a CGD", sublinhou.