O líder comunista português ironizou esta quarta-feira sobre as pressões relativas à constitucionalidade da proposta de orçamento do Estado para 2014 (OE2014), admitindo a existência de «bruxas» e posicionando-se do lado da Constituição da República Portuguesa.

«O juiz-conselheiro não direcionou, nem classificou ou identificou essas pressões, mas, naturalmente, citando alguém, creio que ninguém acredita em bruxas, mas que as há, há», disse Jerónimo de Sousa, referindo-se a alegadas pressões sobre os magistrados do Tribunal Constitucional.

O também deputado do PCP falava à saída de um encontro com representantes do Supremo Tribunal de Justiça, em Lisboa.

«Há uma diferença abissal. Enquanto os nossos posicionamentos vão no sentido de respeitar a Constituição e a independência dos tribunais para decidirem em conformidade, há quem pretenda pressionar os tribunais para desrespeitarem o seu próprio juramento», continuou o secretário-geral comunista.

Jerónimo de Sousa acusou novamente a maioria governamental PSD/CDS-PP de intenções que vão contra o Texto Fundamental, quando confrontando com as acusações de que também a oposição pressiona os juízes do Palácio Ratton.

«Nós, do lado da Constituição, colocamos a necessidade de que seja respeitada e cumprida, por parte de outros existem pressões para que não se cumpra, não se defenda nem se concretize a Constituição da República», cita a Lusa.

PCP presente no «Congresso das Esquerdas»

O secretário-geral do PCP rejeitou que o denominado «Congresso das Esquerdas», na quinta-feira e patrocinado pelo ex-presidente da República, Mário Soares, ou seja, admitindo apenas que se trata de uma «iniciativa que se esgota no mesmo dia».

«Não há nenhum congresso das esquerdas. É um título como qualquer outro. Trata-se, de facto, de uma realização, de uma iniciativa que se esgota no mesmo dia. Tendo em conta os objetivos, naturalmente, estaremos presentes», disse Jerónimo de Sousa, após reunião com os responsáveis do Supremo Tribunal de Justiça, em Lisboa.

Neste segundo encontro dinamizado pelo fundador do PS, que será de novo o principal orador da sessão, estarão presentes representantes das principais forças políticas da oposição, caso do líder parlamentar do PS, Alberto Martins, do ex-dirigente comunista Ruben de Carvalho, e da eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matias.

«Todos os debates em torno de questões como a defesa da Constituição, de combate a esta política de austeridade são matérias que, hoje, inquietam a maioria dos portugueses. Naturalmente, queremos dar uma contribuição da nossa opinião de como vemos a nossa situação atual», concluiu o líder comunista.