O líder comunista, Jerónimo de Sousa, expressou o desprendimento do PCP relativamente a eventuais lugares, nomeadamente no Conselho de Estado, manifestando-se favorável à revisão da reforma de agregação das freguesias levada a cabo em 2013.

"Sem querer fazer juízos de valor sobre outros, durante toda a campanha eleitoral sempre afirmámos que não andamos à procura de lugares".


Palavras de Jerónimo de Sousa quando questionado sobre o empenho do BE no sentido de acompanhar o PS na elaboração de uma lista da Assembleia da República para o Conselho de Estado que espelhe a nova correlação de forças no hemiciclo.

Para o secretário-geral do PCP, "a prioridade é concretizar aspetos convergentes com PS e BE para resolver os problemas dos portugueses".


"Ainda ontem [quarta-feira] contactámos o PS, tendo em conta a expressão e peso eleitoral que tem", descreveu, mas a questão da lista de cinco nomes eleitos pelo parlamento para o órgão consultivo do Presidente da República é "um processo em curso", que terá as, agora, normais "reuniões bilaterais [com o PS] para encontrar soluções", segundo o líder do PCP.

Mesmo confrontado com a preferência por uma nomeação direta para o Conselho de Estado por parte do futuro Presidente da República, o dirigente comunista preferiu centrar a sua atenção na necessidade de o próximo chefe de Estado "cumprir e fazer cumprir a Constituição".

Jerónimo de Sousa falava após receber representantes da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), na sede nacional do PCP, em Lisboa, como reporta a Lusa.

"Há uma opinião convergente com a da ANAFRE, de que é preciso corrigir erros de fundo cometidos ao longo destes últimos anos e repor freguesias cujas populações foram forçadas a aceitar o inaceitável", assumiu Jerónimo de Sousa, referindo-se à "política de pessoal [recursos humanos], defesa de serviços públicos e financiamento das autarquias".

Segundo o presidente da ANAFRE, o socialista Pedro Cegonho, há que proceder a "desagregações, novas agregações ou agregações diferentes", respeitando a "vontade das populações, de forma descentralizada".

"Defendemos que aquilo que está no programa de Governo seja cumprido: avaliar o que foi feito com a última reorganização e criar mecanismos necessários para corrigir situações que possam estar mal resolvidas, do ponto de vista do contexto histórico, social e de coesão do território", disse.