O secretário-geral do PCP defendeu esta segunda-feira que, com a convocação do Conselho de Estado, o Presidente da República vai «possivelmente» repetir o apelo a um consenso, uma proposta «antidemocrática» que já se revelou um «falhanço».

«Convocou o Conselho do Estado, com uma ordem de trabalhos que dá para tudo e dá para nada, mas possivelmente vai repetir o que repetiu não só há um ano, mas recentemente, designadamente no seu discurso de junho passado, em que claramente insiste na ideia de junção dos três partidos da troika, procurando um consenso», afirmou Jerónimo de Sousa.

Na conferência de imprensa de apresentação das conclusões da reunião do Comité Central do PCP, o secretário-geral comunista defendeu que essa proposta «comporta uma expressão claramente antidemocrática, porque quem escolhe, quem decide quem o representa é o povo português».

«Nesse processo de inclusões e exclusões do Presidente da República está a desrespeitar aquilo que deve ser a vontade do povo português», acusou.

Jerónimo de Sousa desvalorizou ainda as diferenças entre os candidatos nas primárias do PS, António José Seguro e António Costa, considerando que ainda está válido o «documento de Coimbra», que ambos acordaram, e disse que o PCP não está disponível para «servir às mesas», quando questionado sobre entendimentos dos comunistas com os socialistas.

No comunicado do Comité Central, o órgão máximo do partido entre congressos, lê-se que «o processo em curso no PS», a propósito de uma disputa pela liderança, «procura iludir não só a natureza e opções desse partido com a política de direita, como rasurar o seu comprometimento com os projetos e instrumentos, nomeadamente por via do Tratado Orçamental, que visam perpetuar a submissão à União Europeia e prosseguir a política de direita».

O Comité Central aponta também para «a construção e promoção de falsas alternativas que, em nome de uma chamado 'entendimento à esquerda', mais não visam que viabilizar o comprometimento e agregação com o PS para a continuação da política de desastre nacional que tem vindo a ser concretizada no país».

Ainda sobre o consenso pretendido pelo Presidente da República, Jerónimo de Sousa frisou que «esse consenso já se notou, designadamente, nas políticas económicas, na subscrição do pacto de agressão», com consequências «tremendas».

«Esse apelo do Presidente da República também significa que certos círculos da nossa sociedade, particularmente os centros de decisão do capital, já consideram que a alternância não é suficiente, é preciso juntarem-se os três para prosseguirem esta mesma política», disse.

«É uma proposta com sentido de falhanço à partida, porque já tivemos a prova provada do que significam estes partidos juntos», disse, acusando o Presidente de «continuar a discriminar forças que têm representação na nossa sociedade».

O líder comunista pediu o aumento imediato do salário mínimo nacional, argumentado que seria uma «medida de alcance social e de alcance económico, tendo em conta o aumento do poder de compra desses trabalhadores».