O secretário-geral do PCP defende que o Presidente da República deve cumprir a Constituição Portuguesa e nomear um Governo do PS "apoiado pela maioria dos partidos" com assento na Assembleia da República.
 

"Que cumpra e faça cumprir a Constituição da República, dê posse ao Governo de iniciativa do PS e apoiado pela maioria absoluta dos deputados."


Na sessão pública da candidatura de Edgar Silva à Presidência da República, Jerónimo de Sousa lembrou que a maioria não é constituída pelos partidos da coligação.
 

"Então a Assembleia da República já não é a casa da democracia, já não é a alma da democracia, como eles tanto proclamavam?".


O dirigente comunista denunciou que os partidos da coligação "querem à viva força pôr em causa a legitimidade de um outro governo que não seja o seu", lembrando que a coligação oferecia "uma acanhada minoria".
 

"Discordando, compreendemos que o militante do PSD Cavaco Silva defenda os seus. Já não se pode aceitar é que, como Presidente da República, Cavaco Silva queira impor a outros o que não impôs aos seus".


Jerónimo criticou também a vontade do PSD em rever a Constituição, comentando que, "para Passos Coelho, devia haver tanta eleição até o resultado lhe servir e conseguirem novamente uma maioria absoluta".

O secretário-geral referiu ainda que o Presidente da República deu "prioridade de agenda para amanhã a uma reunião com os banqueiros". "Quer dizer, camaradas: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és", declarou.

Jerónimo de Sousa salientou por isso as eleições presidências de janeiro como uma forma de garantir a aplicação da Constituição portuguesa.

Já o candidato a Belém Edgar Silva acusou o Presidente da República de se ter tornado num “foco de intensa instabilidade” política, por estar “mais empenhado em defender os interesses estranhos e estrangeiros” do que o país.
 

“Ao que tudo indica, temos um Presidente da República que, mais do que estar empenhado na defesa intransigente do interesse nacional, mais parece estar empenhado em servir interesses estranhos e estrangeiros ao país."


O candidato apoiado pelos comunistas acusou Cavaco Silva de “parecer mais empenhado” em “salvaguardar o que ele pensa que pensam os mercados, o que ele pensa que mais satisfaz os agiotas e especuladores que tanto dominam e sugam o suor, o trabalho e a riqueza nacional”.

Segundo Edgar Silva, o Presidente da República “tornou-se num dos focos que mais alimentam as incertezas e intensificam as indefinições”, mas também de “intensa instabilidade”, em vez de ser “um garante das soluções no normal funcionamento das instituições democráticas”.

“Estamos a ver este tempo estranho em que o Presidente da República quer a todo o custo impor a sua vontade”, declarou o candidato, considerando que, tendo em conta a sua responsabilidade no quadro da Constituição, Cavaco Silva devia ter uma “intervenção política responsável e institucionalmente pacificadora e de garante da unidade nacional”.

Mas, no seu entender, “coloca-se como fator direto da perturbação da normalidade democrática”, nem se constitui como garante da unidade nacional, “mas da desagregação, da conflitualidade e da grande incerteza face ao futuro coletivo”.

Edgar Silva acusou ainda o Presidente de desrespeito pelos outros órgãos de soberania, “desde logo pela Assembleia da República”, apontando que “é o primeiro a hostilizar, a menosprezar as maiorias que fazem na Assembleia da República, a secundarizar a vontade expressa pelos parlamentares”, sublinhando que, em democracia, “as maiorias que se formam no parlamento têm um papel soberano”.

Para Edgar Silva, o PR “apresenta-se como um entrave, um fator de bloqueio a todas as possibilidade de concretização de um novo rumo para o país”.

“Este é o tempo em que também no nosso país, no nosso Portugal, crescem problemas terríveis, como os da corrupção que não param de crescer, como toda a viscosidade da economia da corrupção de desacredita a democracia”, disse, referindo que se “vivem tempos perigosos”, numa alusão aos atentados terroristas em Paris.

Edgar Silva assumiu ainda o compromisso de honra “de cumprimento intransigente e integral da Constituição”, apelando a que todos se assumam, com o seu voto, como “mandatários” de uma mudança em Portugal.