O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, apelou esta quarta-feira, em Bruxelas, ao total esclarecimento das contradições entre banqueiros e Banco de Portugal no caso da comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES.

Sublinhando as «contradições que relevaram das declarações dos banqueiros e do próprio Banco de Portugal», o líder comunista considerou haver o risco de não vir a ser conhecida a verdade toda.

«Corremos o risco – se não forem resolvidas essas contradições – que a culpa acabe por morrer solteira ou quanto muito fulanizada», adiantou, referindo ainda que o processo põe em causa «as questões da supervisão, do acompanhamento, do controlo por parte do Banco de Portugal» em relação ao setor da banca.

Jerónimo de Sousa apelou ao esclarecimento da verdade, de modo a que “as responsabilidades sejam assumidas e se tirem as ilações políticas fundamentais designadamente em relação a essa questão tão importante do controlo público da banca - e a sua falta - que tem levado a que o povo português tenha que pagar milhares de milhões de euros para combater esses desmando, essa falta de regulação e de supervisão que tem existido no nosso país”.

O líder comunista falava aos jornalistas após um encontro, no Parlamento Europeu, com eurodeputados do Grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL).

A comissão parlamentar terminou esta quarta-feira de madrugada uma ‘maratona’ de trabalho que começou às 09:00 de terça-feira com a audição, durante cerca de dez horas, do ex-presidente executivo do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado.

Pelas 20:00, foi a vez do ex-administrador do BES e presidente do BESI, José Maria Ricciardi, responder às dúvidas dos deputados que integram a comissão, tendo os trabalhos terminado às 02:00.