A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu este sábado a nacionalização do Novo Banco e afirmou que a entrega do banco ao fundo norte-americano Lone Star constitui "um erro” que terá “custos avultados”.

O Bloco de Esquerda considera que esta entrega do Novo Banco (NB) ao fundo Lone Star é um erro, que terá custos muito avultados no futuro, e portanto o BE não concorda nem viabilizará esta medida”, disse Catarina Martins, à margem da apresentação do candidato do partido à Câmara Municipal de Sintra, na Biblioteca Ruy Belo, em Queluz, nos arredores de Lisboa.

 

Mantemos o que sempre dissemos: para entregar o NB à Lone Star, perdendo o dinheiro que lá foi posto, e ainda por cima, ficando com a hipótese de perdas futuras, é algo que o BE nunca viabilizará", explicou Catarina Martins.

A líder do BE defende outro caminho: "Discutir uma outra solução, ainda que tenha algum custo agora, mas que nos permita, no futuro, reaver o que já foi posto no banco, e não ter perdas para próximos governos, é algo para o qual o BE está disponível e essa solução chama-se nacionalização”.

A nacionalização do NB, referiu a líder do Bloco, “foi já defendida por pessoas do Partido Socialista e até pelo seu porta-voz [João Galamba], com contas, que mostrava que era a solução mais barata que protegia a economia, o próprio ministro das Finanças [Mário Centeno] chegou a pôr essa solução em cima da mesa”.

A coordenadora do BE disse que já transmitiu esta “posição clara do Bloco” ao primeiro-ministro.

Jerónimo contra venda a privados com “fatura ao povo”

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, assegurou, também este sábado, que os comunistas serão sempre contra qualquer solução que passe por vender o Novo Banco "a grupos privados e passar a fatura ao povo".

Todas as decisões que visem integrar o Novo Banco no setor público bancário contarão com a nossa força e a nossa iniciativa. Para vender o banco a grupos privados e passar a fatura ao povo, sabem que contarão com a nossa oposição", afirmou o secretário-geral, no discurso de encerramento do encontro nacional do PCP sobre as eleições autárquicas de 01 de outubro que hoje decorreu em Lisboa.

Para o líder comunista, o processo de venda do Novo Banco confirma que "a banca ou é pública ou é entregue aos estrangeiros".

A venda do Novo Banco que o governo PS quer agora concretizar é a posição defendida desde o início por PSD e CDS, é uma opção que prejudica país e o povo e que o PCP rejeita", sublinhou.

O secretário-geral do PCP questionou ainda se será possível o Estado vir a recuperar o dinheiro que tem no Fundo de Resolução, criticando a "imposição do Banco Central Europeu" de adiamento do prazo de pagamento ao Estado pelos bancos, por 30 anos, de 4,9 mil milhões de euros.

Milhões que o país dificilmente verá", lamentou.

No seu discurso, Jerónimo de Sousa criticou de forma global a estratégia do atual Governo em relação ao setor financeiro.

No Banif, com a imposição da sua entrega ao maior banco espanhol a preço de saldo e com pesados encargos para o erário público. Viu-se na Caixa Geral de Depósitos com a imposição da solução de financiamento junto a fundos do grande capital especulativo para financiar a recapitalização a taxas inaceitáveis, com desemprego e fecho de balcões", criticou.

Se, por um lado, Jerónimo de Sousa vincou que os avanços conseguidos em relação ao programa do PS só foram possíveis pela posição reforçada de PCP e Verdes no parlamento - que suportam através de posições conjuntas o Governo socialista minoritário, em conjunto com o BE -, também se demarcou de opções como as da redução do défice "a todo o custo" ou a submissão "aos instrumentos de domínio" da União Europeia.

"Nós não deitamos foguetes pela diminuição do défice, se ele continuar a ser feito à custa do investimento, do desenvolvimento e para pagar milhões de juros agiotas de uma dívida que nos afunda e poderia ser renegociada", disse.