O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, alertou hoje que a noticiada intenção do Governo de aumentar o salário mínimo para 500 euros pode ser uma «moeda de troca para liquidar a contratação coletiva».

«Será que o Governo quer apenas como moeda de troca a liquidação da contratação coletiva e todo o conjunto de direitos que ela comporta? Vamos ver se o Governo não quer funcionar com essa proposta como moeda de troca para liquidar um direito fundamental», disse aos jornalistas Jerónimo de Sousa, durante uma arruada pelas ruas de Benfica, numa iniciativa da CDU da campanha eleitoral para as eleições europeias.

O jornal Expresso notícia hoje que o Governo vai levar à reunião da Concertação Social, marcada para 29 de maio, a proposta de aumentar para 500 euros o salário mínimo nacional.

O secretário-geral do PCP relembrou que, caso se confirme esta proposta do Governo, 500 euros, esta «devia estar a vigorar em 2011, num acordo também de concertação social, em que foi congelado durante estes três anos».

Jerónimo Sousa manifestou-se «preocupado», tendo em conta «a orientação rígida do FMI (Fundo Monetário Internacional) em relação à legislação laboral» e que tem como «ponto nuclear a questão da contratação coletiva», sendo essa a via para conseguir «baixar os salários a muitos trabalhadores do setor privado».

«Quando digo moeda troca é porque sabemos que o FMI não larga e que o Governo está disposto a ceder», adiantou.