Por: Hugo Beleza / Filipe Caetano | 15- 7- 2010 19: 8
O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou o Governo socialista de ter enveredado por políticas de direita em nome da «dramatização
à volta do défice das contas públicas». A estas, atribuiu a crise em que o país se encontra.
«A realidade é bem
diferente dos discursos do primeiro-ministro», disse Jerónimo de Sousa, acrescentando: «Aquilo que critica nas intenções do
PSD é o que aplica na política do seu Governo».
«O PSD quer consagrar na Constituição o que vai sendo posto em prática
pelo Governo do PS», acusou o líder comunista, que descreveu Portugal como «um país em regressão em domínios essenciais da
sua vida colectiva».
Desde o estado de «degradação dos serviços públicos essenciais ao bem estar das populações»,
Jerónimo de Sousa, diz que estes problemas não se podem «desligar do que foram todos os últimos anos de política de direita».
«Ora por governos do PS, ora por governo de PSD, com ou sem CDS-PP», anotou.
Para o líder comunista, a crise actual
não tem apenas origem no «capitalismo internacional». É também o «resultado de uma prolongada acção política orientada para
promover uma escandalosa centralização e concentração da riqueza a favor de uns poucos», disse.
«Portugal das
injustiças»
Num debate marcado por uma acérrima defesa por parte do PS e do Governo do Estado social, Jerónimo
de Sousa acusou quem está no poder de fazer o contrário do que defende. «É o Portugal das injustiças que sobressai de uma
governação e de uma política que se diz vinculada à defesa de um Estado social, mas que o vai desmantelando peça a peça».
A solução, para o PCP, passa por uma aposta na «produção nacional» que tenha como objectivo «pleno emprego e o emprego
com direitos». Foi realçada ainda necessidade do investimento na «agricultura», «economia do mar» e «industrialização do país».
A receita de Jerónimo de Sousa passa ainda por enfrentar «com coragem os grandes grupos económicos e vá buscar recurso
onde eles existem»: «Obrigando a banca a pagar 25% de taxa efectiva de IRC, limitando as operações no offshore da madeira
visando pôr-lhe fim, aplicando uma taxa extraordinária de IRC a empresas que tenham mais de 50 milhões de euros de lucro por
ano, impondo, de imediato, a tributação das mais-valias realizadas na bolsa e em 20 % as transferências financeiras para os
paraísos fiscais».
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