O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou esta segunda-feira que, a pedido de Portugal, vai ser feita uma reflexão sobre a reorganização da proteção civil na União Europeia, da qual já encarregou o comissário responsável por esta área.

Jean-Claude Juncker falava no Palácio de Belém, em Lisboa, com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao seu lado, antes da reunião do Conselho de Estado, na qual o presidente da Comissão Europeia foi convidado a participar.

Nós estamos solidários com Portugal. Pusemos em andamento todos os esforços que os mecanismos europeus nos permitem oferecer aos nossos amigos de Portugal. E vamos refletir, a pedido de Portugal, sobre a reorganização da proteção civil na Europa, que tem lacunas e fraquezas que é preciso remediar. Encarreguei o comissário respetivo de o fazer", afirmou Juncker.

O presidente da Comissão Europeia contou que pensou muito em Portugal por causa dos fogos deste mês, que mataram 45 pessoas, e que ficou afetado pessoalmente, porque "houve mortes nos incêndios" de conterrâneos seus do Luxemburgo que estavam de visita a Portugal.

No início da sua intervenção, Juncker referiu que no Luxemburgo criou "uma relação de respeito e cordialidade com a comunidade portuguesa" e declarou-se "muito contente de estar de volta a Portugal", acrescentando: "Está entre os meus países preferidos, se não o meu país preferido".

"Velho amigo"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tratou Juncker por "velho amigo", que tem a impressão de conhecer "há séculos" e com quem mantém "uma amizade que resiste a tudo".

Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu-lhe por ter aceitado o convite e pelo apoio dado a Portugal na sequência dos incêndios deste mês, "com palavras de solidariedade, mas também com decisões no sentido de uma solidariedade institucional europeia".

O Presidente da República agradeceu também a decisão da União Europeia de entregar os 50 mil euros do prémio Princesa das Astúrias da Concórdia às vítimas dos incêndios em Portugal e Espanha.

O chefe de Estado voltou ainda a elogiar o seu "discurso notável" de Jean-Claude Juncker sobre "o estado da União", considerando que traçou "uma perspetiva muito ambiciosa e corajosa sobre a Europa, a União Europeia e o mundo".

Costa agradece

Antes, o primeiro-ministro também elogiou as ações do presidente da Comissão Europeia no sentido de reabrir o processo para reforçar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e para impulsionar o projeto piloto português para a reestruturação da floresta.

António Costa falava aos jornalistas no final de uma reunião de cerca de 45 minutos, em São Bento, com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, na qual também esteve presente o comissário português, Carlos Moedas.

Numa curta declaração aos jornalistas, sem direito a perguntas, o líder do executivo português agradeceu o apoio da União Europeia após os incêndios de junho e deste mês em Portugal - fogos que, no seu conjunto, provocaram mais de 100 mortos.

Quero manifestar o meu agradecimento ao presidente Jean-Claude Juncker por toda a solidariedade manifestada pela União Europeia ao longo deste verão, quer através do Mecanismo Europeu de Solidariedade, quer também ao nível da mobilização de meios de apoio à proteção civil", afirmou o primeiro-ministro.

António Costa elogiou depois, diretamente, o ex-primeiro-ministro do Luxemburgo.

Chocado com as circunstâncias em que vivemos este verão, o presidente Juncker reabriu um processo, que a comissão já tentou por várias vezes ter a aprovação dos Estados-membros, tendo em vista reforçar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil", disse.

António Costa elogiou ainda a forma como Jean-Claude Juncker pediu à comissária europeia responsável pela política regional para estudar a forma de Portugal poder ter "um projeto piloto, visando o reforço da reestruturação da floresta portuguesa".

É preciso aumentar a prevenção estrutural contra os incêndios. Temos de possuir melhores condições para que não voltemos a ser confrontados com as ameaças que sofremos este verão", acrescentou o primeiro-ministro português.