O presidente do Governo Regional da Madeira disse esta quinta-feira que a anunciada greve da TAP é «uma vergonha e uma irresponsabilidade», defendeu a requisição civil e criticou a «falta de força» do Governo.

«A greve da TAP é uma vergonha e é uma irresponsabilidade e lamenta-se que um Governo da República, que se mostra tão forte com os fracos, não tenha força para meter a TAP na ordem, nem tenha força para meter a televisão na ordem e ande apenas preocupado com a Madeira», afirmou Alberto João Jardim aos jornalistas na Assembleia Legislativa da Madeira, à margem da discussão e votação do Orçamento Regional para 2015.

Jardim declarou ainda «defender a requisição civil da TAP».

Os 12 sindicatos que representam os trabalhadores da TAP, entre os quais os pilotos, anunciaram quarta-feira uma greve de quatro dias, entre 27 e 30 de dezembro.

Num comunicado conjunto, a plataforma que reúne os 12 sindicatos da TAP referiu que a greve tem como objetivo «sensibilizar o Governo para a necessidade de travar o processo de privatização».

O governante madeirense argumentou que «o direito à greve é um direito constitucional mas não é um direito absoluto», adiantando que este se «subordina ao bem comum e a interpretação do bem comum compete aos governos fazê-la, sujeitando-se depois ao juízo soberano do eleitorado».

Ainda sobre a polémica em torno dos processos disciplinares instaurados aos quatro deputados do PSD eleitos pela Madeira na Assembleia da República, pelo facto de terem votado contra o Orçamento de Estado para 2015, Jardim admitiu que os parlamentares possam estar a ser prejudicados pelo clima de «crispação que sempre houve» com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

«De certo modo entendo isto como um revanchismo da direção nacional do partido contra as posições que a Madeira tem tomado e de que eu tenho sido o rosto», observou.

Alberto João Jardim, juntamente com todos os elementos do Governo Regional da Madeira, está presente hoje na sessão plenária da Assembleia Legislativa da região destinada à discussão e votação na generalidade das propostas de orçamento e plano da região para 2015, o último que apresenta, visto que anunciou que irá apresentar a sua demissão a 12 de janeiro.

O líder insular referiu-se às reações das declarações que fez «admitindo voltar» para ocupar o cargo de presidência, considerando que as pessoas «não têm sentido de humor».

«Parece que ficou toda a gente assustada de eu voltar aqui. Posso voltar daqui a dias como deputado», realçou, concluindo: «Sempre me diverti na política, têm de compreender que vou continuar a divertir-me com isto».