O ex-presidente da Assembleia da República Jaime Gama defendeu esta terça-feira a necessidade de compatibilizar "de forma inteligente" as políticas nacionais com as soluções mais adequadas para a União Europeia, sublinhando que Portugal não pode "ficar de fora".

O caminho tem de ser um caminho de consistência, de substância e tem de ser um caminho responsável sobre a UE, não haverá políticas responsáveis em Portugal que não passem por compatibilizar de forma inteligente as políticas nacionais com as soluções políticas mais adequadas para o conjunto da União Europeia", afirmou o socialista Jaime Gama, no segundo jantar conferência da Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide até domingo.

Sublinhando que Portugal não pode "ficar de fora" e não pode "ficar a faturar ‘scores' no vazio sobre alvos que não têm o menor significado", o antigo presidente da Assembleia da República insistiu na necessidade de "olhar mais alto".

Todos aqueles que transversalmente no espectro político põem acima da sua intervenção normal no quotidiano o interesse estratégico da Europa, reforçam a convicção europeia, não passam certidões de óbito à UE, são aqueles que estão no bom caminho", reforçou.

Numa intervenção centrada na Europa, Jaime Gama disse ainda estar "certo e seguro" que em Portugal se manterá por "muitos anos" a articulação fundamental entre "aqueles que responsavelmente querem manter uma via europeia para o país", com ideias para a Europa e não com "recriminações oportunisticamente fáceis sobre as dificuldades da Europa".

Pois, acrescentou, "anichar" Portugal na "descrença, no desinteresse, na piada fácil, na reivindicação comercial de benesses imediatas", não é o caminho.

Antes, Jaime Gama, que foi apresentado pelo diretor da Universidade de Verão, o eurodeputado do PSD Carlos Coelho, como "um homem notável, um socialista ilustre e um homem de exceção", tinha falado sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, antecipando que os britânicos irão tentar alcançar um tipo de relacionamento com a Europa como o que foi conseguido pela Noruega.

Ou seja, explicou, o Reino Unido vai fazer tudo para continuar no mercado único, com a livre circulação de bens, mercadorias e capitais, mas "vai ser externamente restritivo para a livre circulação de pessoas".

Se a União Europeia vai saber encontrar uma boa forma de gerir este ‘dossier' ou não, sobre isso dependerá também o futuro da União Europeia", admitiu, lembrando que a Europa continua a ser "extremamente necessária" na comunidade internacional.