O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, considerou hoje em declarações à Lusa que o cessar-fogo anunciado em Gaza fornece «alguma esperança» e pode perspetivar um acordo mais amplo com supervisão internacional.

Numa referência à trégua de 72 horas que entrou em vigor esta manhã, negociada no Cairo entre as partes e mediadores egípcios, Rui Machete disse que o cessar-fogo fornece «alguma esperança que possa vir a ser prolongado e até que possa ser a base para um acordo devidamente monitorizado pela comunidade internacional».

Apesar de alertar para a necessidade de cautelas, o chefe da diplomacia portuguesa estabeleceu como primeira prioridade «uma solução minimamente duradoura para este conflito através de uma negociação entre as duas partes», com o fim das operações militares «para enterrar os mortos e tratar dos vivos», e no caminho para uma solução pacífica.

Machete referiu que Portugal «reitera o apoio aos esforços internacionais» em curso, onde estão envolvidos diversos responsáveis na busca de uma «paz mais duradoura».

O ministro revelou ter contactado hoje com as embaixadas de Portugal em Telavive e Ramallah, admitiu que os relatos emitidos o deixaram «naturalmente preocupado», mas também com «esperança sobre a possibilidade de prolongar o cessar-fogo» e garantir tréguas mais duradouras.

«Por outro lado, é evidente que são completamente injustificáveis os ataques que têm sido feitos às instalações das Nações Unidas, de que resultaram dezenas de vítimas civis e centenas de feridos, e também naturalmente aquilo que Israel também tem sofrido com os bombardeamentos do Hamas», precisou o ministro.

Rui Machete lamentou «de maneira muito especial as crianças», lembrando que «infelizmente as crianças estão a ser duramente afetadas por este conflito» e referiu que o Governo português, através do ministério dos Negócios Estrangeiros, decidiu fornecer uma «pequena contribuição» em apoio à situação humanitária na Faixa de Gaza.

«Demos um apoio de urgência de 20.000 euros à Agência da ONU para a ajuda aos refugiados palestinianos (UNRWA), destinados a contribuir para as necessidades mais imediatas. Não é uma verba muito grande mas significa o nosso interesse em dar uma ajuda de caráter humanitário imediata».

O ministro insistiu que a segurança e a proteção das populações palestiniana e israelita «são hoje um objetivo absolutamente essencial», na sequência de um conflito onde o nível de destruição e de vítimas foi particularmente elevado.

Mesmo definindo a atual situação como «prematura», o chefe da diplomacia frisou que «para já, a única realidade palpável e positiva é que as tréguas continuam e isso, sendo pouco, perante a gravidade do conflito e o desastre humanitário já é alguma coisa positiva».

Numa referência à decisão do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que se juntou a uma declaração da União Europeia (UE) onde se desaconselham quaisquer negócios de empresários com os colonatos israelitas nos Territórios ocupados, Rui Machete considerou limitar-se a obedecer às resoluções internacionais sobre esta questão.

«Os colonatos são construídos ilegalmente, e daí também decorrem consequências também ilegais. Uma delas é a venda dos produtos, foi uma resolução tomada há muito tempo pela UE, somos membros da UE e por isso estamos vinculados a essa resolução», concluiu o ministro.