A deputada socialista Isabel Santos, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), vai formalizar ainda este mês junto das autoridades dos Estados Unidos o pedido para visitar a prisão de Guantanamo.

«Este é um processo que tem vindo a ser acompanhado pela OSCE e neste momento há uma preocupação pela demora no encerramento da prisão», disse à Lusa Isabel Santos.

Para a vice-presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OSCE, os Estados Unidos devem tomar medidas necessárias do ponto de vista legislativo para que se possa proceder ao encerramento da prisão.

«Não é algo que se resolva por um mero despacho, tem aqui várias implicações e por isso é preciso que todos cooperemos no sentido de resolver, de uma vez por todas, esta questão que nos envergonha a todos como democratas», sublinha a responsável.

Segundo Isabel Santos, existe também a necessidade de uma maior cooperação por parte dos países europeus no sentido do acolhimento dos presos «que estão em condições de ser libertados» e que não podem - por questões humanitárias - ser enviados para os países de origem.

«Tem havido dificuldades de cooperação entre os diversos países no sentido de receberem os presos. Os países têm sido muito moderados. Alguns até têm sido muito críticos contra a manutenção daquelas instalações mas, ao mesmo tempo, não se oferecem para acolher os presos. Temos todos de fazer uma reflexão para que sejam garantidas condições de acolhimento para aquelas pessoas», disse a deputada.

Apesar das promessas do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o campo de detenção de Guantanamo, instalado numa base naval norte-americana em Cuba, continua a funcionar desde 2002.

O centro de detenção já foi apontado pela Amnistia Internacional como «gulag dos tempos modernos» pelas práticas de tortura e pela manutenção de presos acusados de terrorismo e que muitas vezes são transportados para a prisão no contexto de operações secretas, em todo o mundo mas sobretudo no Médio Oriente.

A OSCE tem acompanhado a situação da prisão de Guantanamo ao longo dos últimos anos sendo que a organização encontra-se também neste momento a monitorizar o processo de julgamentos dos detidos.

O pedido de Isabel Santos vai ser efetuado nas próximas duas semanas e prevê o pedido para contactos com os presos.