O CDS exigiu saber onde estão e quem são os profissionais de saúde que o Governo diz que tem contratado, comparando a realidade nos serviços de saúde com os livros “Onde está o Wally?”.

Durante a audição do ministro da Saúde, hoje no parlamento, a deputada do CDS Isabel Galriça Neto insistiu várias vezes no tema das contratações de recursos humanos na saúde, vincando que o Ministério tem apresentado números diferentes consoante a situação.

“O que temos vindo a assistir é a que, em alturas distintas ao longo do ano, são anunciados números diferentes. O que pergunto é onde estão e quem são esses profissionais. O Wally continua por encontrar. [O ministro da Saúde] deixa-nos a alegoria de ‘Onde está o Wally?’”, ironizou Isabel Galriça Neto, referindo-se aos livros de banda desenhada que desafiam os leitores a encontrar o boneco “Wally”.

Para o CDS, a realidade mostra que “não há profissionais em número suficiente, indicando que os próprios conselhos de administração dos hospitais “não sabem onde estão os profissionais” que o Governo tem referido como contratados.

Segundo o ministério, em comparação com o início da legislatura há mais cerca de 8.000 profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS), com o ministro a referir hoje que, até ao final do ano, o número chegará a cerca de 10 mil profissionais adicionais.

A deputada do CDS refere que nas várias visitas feitas aos hospitais, as administrações têm referido a falta de recursos humanos e a ausência de autorizações para realizar contratações.

“Há uma dissonância entre o discurso e aquilo que a realidade revela”, conclui.

Eventual contratação de mais profissionais remetida para o outono

O ministro da Saúde remeteu para o outono a eventual contratação adicional de trabalhadores para colmatar a passagem às 35 horas de trabalho, mas admitiu que não será possível este ano contratar o número desejável de profissionais.

A ocorrer uma nova vaga de contratações de profissionais de saúde só acontecerá depois de avaliadas as necessidades, o que será feito setembro.

Desde o dia 1 de julho que alguns milhares de profissionais de saúde passaram do regime das 40 horas de trabalho semanais para as 35 horas, tendo o Ministério avançado com a contratação de cerca de 2.000 profissionais este mês para cobrir as necessidades, depois de anunciar que contratou outros 1.600 profissionais até junho já tendo em conta os novos horários laborais.

No parlamento, o ministro da Saúde disse hoje que em setembro será feita uma “aferição do que foi feito”. Depois, com base em “dados objetivos serão feitos antes do inverno os ajustamentos que devam ser feitos”.

“Provavelmente não haverá condições orçamentais para recrutarmos este ano todo o universo de profissionais desejável”, admitiu o ministro Adalberto Campos Fernandes.

Há cerca de duas semanas, também na comissão parlamentar de Saúde, o ministro tinha adiantado que haveria uma primeira fase de contratação agora em julho e que depois haveria outra fase em setembro.

A deputada do PCP Carla Cruz questionou hoje diversas vezes o ministro da Saúde sobre a quantidade de profissionais que pretendia recrutar na segunda fase, em setembro, lembrando que os 2.000 que serão contratados este mês são “claramente insuficientes”.

Aliás, o PSD e o Bloco de Esquerda vincaram que seriam necessários pelos menos 5.000 profissionais para colmatar as necessidades da passagem às 35 horas de trabalho semanais.

Sobre os 2.000 profissionais a contratar a partir de agora, o ministro da Saúde esclareceu que serão contratos sem termo.

Campos Fernandes escusou-se, contudo, a adiantar qual o impacto orçamental que terá a passagem dos profissionais para as 35 horas de trabalho semanais, apesar das insistências do deputado do PSD Ricardo Batista Leite.