O longo post começa com «Caros Amigos», assim em maiúscula, para de seguida Nicolas Sarkozy anunciar que está de volta à política. O ex-Presidente de França utilizou o seu Facebook para pôr fim a vários meses de especulação sobre o seu regresso. Alega que a falta de esperança que sente nos franceses tem de ser superada. Sarkozy vê, nele próprio, a solução.

«Tenho sentido que muitos franceses já não acreditam em nada nem em ninguém, como se nada valesse a pena. Esta ausência de toda a esperança, tão própria da França dos dias de hoje, obriga-nos a reinventarmo-nos profundamente», diz o político conservador, de 59 anos, que foi derrotado nas presidenciais de 2012 pelo atual chefe de Estado francês, François Hollande.

Depois de uma «profunda reflexão», anuncia: «Sou candidato à Presidência da minha família política», a União para um Movimento Popular (UMP). Sarkozy reforça, ainda, que «não se pode fazer nada grande sem a unidade da nação» e advoga uma «nova opção política».

Quer «transformar» o partido «de dentro para fora», com o objetivo de «criar, dentro de três meses, as condições para uma nova e vasta coligação que vai envolver todos os franceses, sem partidarismo». Sarkozy defende que «as clivagens tradicionais agora já não correspondem a nenhuma realidade».

«Novo» é, de resto, uma palavra repetida ao longo do post. O ex-chefe de Estado de França fala num «novo projeto», num «novo modo», num «novo clube». Tudo defender a «ambição de um renascimento tão necessário para nossa vida política».

Aproveita ainda para frisar que adora o seu país: «Eu realmente gosto da França; Sou muito apaixonado pelo debate público e pelo futuro de meus compatriotas». Não quer «vê-los condenados a escolher entre o espetáculo desesperado de hoje e a perspectiva de isolamento sem esperança» de manhã. «Não consigo ver passar para o mundo a ideia de que a França poderia ter apenas voz marginal».

Estre regresso à política surge apenas dois meses depois de Nicolas Sarkozy ter sido detido para ser interrogado por crimes de corrupção ativa, tráfico de influências e violação do segredo de justiça. Isso aconteceu a 1 de julho. No dia seguinte, Sarkozy mostrou-se «profundamente chocado» com a detenção. Sem querer «nenhum privilégio», garantiu que este caso apenas tem como objetivo prejudicar a sua reputação.

Sobre isso, nem uma linha na sua mensagem na rede social. Preferiu antes destacar que sabe quais são as dificuldades que o país tem pela frente, mas quer assumir esse desafio, sendo o futuro candidato do UMP às presidenciais de 2017.

Termina com um pedido: «Que cada um [dos franceses] esteja convencido da força e sinceridade de meu compromisso ao serviço da França».